Turquia oferece refúgio a sírios; Ocidente cobra votação na ONU

A Turquia manteve a fronteira aberta para refugiados sírios nesta quarta-feira e pediu que o governo da Síria reduza a violência contra civis, depois que milhares de pessoas abandonaram uma cidade próxima da fronteira turca por temer uma ofensiva militar.

YARA BAYOUMY, REUTERS

08 de junho de 2011 | 15h37

Com a opinião pública ocidental impressionada com o derramamento de sangue na Síria, a Grã-Bretanha e a França preparam-se para pedir que o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) condene o presidente Bashar al-Assad, embora não pareça haver disposição para uma intervenção militar ao estilo do que ocorre na Líbia.

O governo de Assad acusou bandos armados de matar muitos de seus homens na cidade de Jisr al-Shughour, no noroeste do país, e prometeu enviar o Exército para executar a sua "obrigação nacional de restaurar a segurança" ali. Tropas com tanques se movimentaram para perto da cidade, levando muitos de seus 50 mil habitantes a fugir.

"Estamos monitorando os acontecimentos na Síria com preocupação", disse o primeiro-ministro turco, Tayyip Erdogan, que por muito tempo buscou estreitar os laços com Assad. "A Síria deve mudar sua atitude com relação aos civis e agir de forma mais tolerante."

"Está fora de questão para a Turquia fechar suas portas aos refugiados vindos da Síria", acrescentou.

A movimentação das tropas aumentou o temor de que a violência possa entrar em um novo nível. O governo registrou a perda de mais de 120 homens no que os ativistas anti-Assad dizem ter sido uma briga entre os soldados. Grupos de direitos humanos afirmam que mais de 1.100 civis morreram desde março nos protestos contra o governo de Assad, cuja família está no poder há 41 anos.

Em Jisr al-Shughour, a população ainda tem na memória um assassinato em massa ocorrido em 1980, durante o governo do pai de Assad. O episódio foi precursor da repressão de uma revolta islâmica armada na cidade de Hama, onde muitos milhares foram mortos em 1982.

Cerca de 170 sírios atravessaram a fronteira para a Turquia no dia que se passou, informou a agência de notícias dirigida pelo Estado turco. Alguns feridos foram levados a hospitais. Os moradores sírios afirmaram que a maioria dos que fugiram da cidade permanece em vilarejos dentro da Síria.

Jornalistas da Reuters na Turquia viram barracas no lado sírio da fronteira. Moradores turcos afirmaram ter visto tropas turcas e ambulâncias pegarem os sírios que cruzaram a fronteira no começo do dia.

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