Turquia oficializa pedido para ação militar no Iraque

Governo alega que incursão deve combater terroristas curdos que se abrigam nas montanhas no norte do país

Associated Press e Agência Estado,

15 de outubro de 2007 | 13h51

O governo turco decidiu enviar ao Parlamento uma moção no qual pede aprovação para uma incursão militar contra o norte do Iraque com o objetivo de reprimir rebeldes curdos, segundo anunciou um porta-voz governamental nesta segunda-feira, 15.   Veja Também Petróleo bate recorde com tensão   O pedido, entretanto, não significa necessariamente a iminência de um ataque, depois de um fim de semana de intensos confrontos na fronteira. Em 2003, o governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan requisitou duas autorizações similares ao Parlamento, mas não colocou os planos em prática.   Cemil Cicek, porta-voz do governo turco, disse que a moção pedindo a autorização seria imediatamente enviada para avaliação do Parlamento. A estimativa é de que a votação ocorra ainda esta semana. "Nossa esperança é que não seja necessário colocar em prática a moção", declarou.   O porta-voz esclareceu que qualquer eventual operação militar teria como alvo exclusivo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, por suas iniciais em curdo), numa aparente tentativa de tranqüilizar o governo central iraquiano e os curdos do norte do Iraque. "O único alvo desta moção é o PKK, que é uma organização terrorista", argumentou Cicek.   "Nós sempre respeitamos a soberania do Iraque, que é considerado por nós um país amigo e irmão, mas a realidade que todos conhecem é que essa organização terrorista, que possui bases no norte do Iraque, está atacando a integridade territorial da Turquia e seus cidadãos", prosseguiu.   Ancara vem pedindo há anos a Washington e a Bagdá que atuem para reprimir os guerrilheiros curdos refugiados na região semi-autônoma do norte do Iraque e que promovem ataques em solo turco.   Cerca de 60 mil soldados turcos posicionaram-se na fronteira de seu país com o Iraque, confirmaram autoridades americanas. As mortes de 15 soldados turcos, na semana passada, e de outras 15 pessoas, na semana anterior, aumentaram o apoio dentro do país a uma reação militar contra os curdos.   Washington, não obstante, já advertiu em várias ocasiões que se opõe veementemente a uma ação unilateral turca que possa desestabilizar a zona curda situada no norte iraquiano.   Os analistas crêem que a Turquia desta vez não atenderá aos pedidos de Washington de cooperar com o Iraque e se inclinará por uma resposta militar unilateral. O governo de Ancara está indignado por causa de uma decisão de uma comissão da Câmara de Representantes dos EUA, que aprovou uma resolução que classificou como genocídio a morte de centenas de milhares de armênios por forças imperiais otomanas durante a Primeira Guerra Mundial.   No centro da resolução está a morte de 1,5 milhão de armênios nas mãos do Império Otomano, entre 1915 e 1917. A Turquia nega que as matanças tenham sido um genocídio, ao dizer que os números foram inflados, e que os mortos foram vítimas da guerra civil. Os turcos dizem que muitos muçulmanos também foram mortos na guerra.

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