Turquia permitirá passagem de curdos do Iraque para reforçar defesa de cidade síria

A Turquia disse nesta segunda-feira que permitirá a passagem de combatentes curdo-iraquianos para ajudar seus companheiros curdos na cidade síria de Kobani, ao passo que os Estados Unidos entregaram armas pela primeira vez aos defensores de Kobani, para ajudá-los a resistir ao avanço do Estado Islâmico.

GULSEN E SOLAKER E TOM PERRY, REUTERS

20 de outubro de 2014 | 10h43

Washington disse que as armas haviam sido fornecidas por autoridades curdo-iraquianas e tinham sido entregues por aviões perto de Kobani, que vem sofrendo intenso ataque do Estado Islâmico desde setembro e agora está cercada pelo leste, oeste e sul. A cidade faz fronteira ao norte com a Turquia.

A Turquia estacionou tanques nas colinas de frente a Kobani, mas se recus a ajudar as milícias curdas em solo se não houver um acordo mais amplo com seus aliados da Otan sobre intervenção na guerra civil da Síria. O governo turco quer que sejam tomadas ações contra o presidente sírio, Bashar al-Assad.

No entanto, o ministro das Relações Exteriores turco, Mevlut Cavusoglu, disse em uma coletiva de imprensa que a Turquia estava facilitando a passagem de forças curdo-iraquianas, os chamados soldados peshmerga, os quais combateram o Estado Islâmico quando o grupo militante atacou a região autônoma curda no Iraque há alguns meses. Ele não deu detalhes.

A recusa da Turquia para intervir na batalha contra o Estado Islâmico, que tomou grandes áreas da Síria e do Iraque, tem levado a uma crescente frustração nos Estados Unidos.

Essa atitude também provocou manifestações violentas no sudeste da Turquia de curdos furiosos com a recusa do governo turco em ajudar Kobani ou pelo menos abrir um corredor para que combatentes voluntários ou reforços se dirigissem para lá.

O governo turco vê os curdos-sírios com grande suspeita por causa de seus laços com o PKK, um grupo militante que há décadas trava uma campanha pelos direitos curdos na Turquia.

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