Turquia pode esfriar laços com UE se Chipre presidir bloco

Candidata à União Europeia, a Turquia vai congelar as relações com a UE se o Chipre ficar com a presidência rotativa da entidade em 2012, afirmou o vice-primeiro-ministro turco Besir Atalay, segundo a agência de notícias estatal Anatolian na noite de sábado.

JONATHON BURCH, REUTERS

18 Setembro 2011 | 11h43

Os comentários sinalizam um novo obstáculo nas relações entre a União Europeia e a Turquia, que iniciou conversações para a adesão ao bloco em 2005. As declarações foram feitas em um momento de tensão no leste do Mediterrâneo, onde a Turquia trava uma disputa com Chipre sobre potenciais depósitos de gás offshore e também quando as relações entre Turquia e Israel, seu aliado de longa data, estão desgastadas.

"Se as negociações de paz lá (no Chipre) não são conclusivas, e a UE dá a sua presidência rotativa para o Chipre, a crise real será entre a Turquia e a UE," declarou Atalay à rádio e TV Bayrak, segundo a agência de notícias Anatolian.

"Porque nós vamos, então, congelar as nossas relações com a UE. Fizemos esse anúncio. Como governo, nós tomamos essa decisão. As nossas relações com a UE serão interrompidas subitamente."

Um funcionário da Comissão Europeia se recusou a comentar a declaração de sábado.

O governo cipriota grego internacionalmente reconhecido está prestes a assumir a presidência rotativa da UE por seis meses a partir de julho de 2012.

O Chipre está dividido desde a invasão turca em 1974, desencadeada por um breve golpe de inspiração grega.

Apesar de a muçulmana Turquia ter começado as negociações para adesão à UE em 2005, o progresso tem sido lento, em grande parte por causa do conflito com o Chipre.

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