Turquia pode ignorar apelos e lançar ofensiva no Iraque

Especialista diz que além de atentados, a aprovação da resolução do genocídio armênio pode incentivar invasão

Gabriella Dorlhiac, do Estadão,

17 de outubro de 2007 | 16h11

 O Parlamento autorizou o governo turco nesta quarta-feira, 17, a lançar uma incursão militar contra as bases dos guerrilheiros do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, em curdo) no norte do Iraque. Para o professor da Universidade de Istambul Ilter Turan, Ancara só lançará uma ofensiva no país vizinho caso os rebeldes cometam mais ataques terroristas, independente dos apelos do governo americano para que a ação do Exército seja evitada. Confira a entrevista com o especialista feita antes da aprovação da medida:   O governo do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, irá usar a medida aprovada ou ela foi apresentada apenas para agradar a opinião pública? Eu não acredito que o governo está excessivamente entusiasmado com o uso dos poderes garantidos pelo Parlamento. A aplicação das medidas dependeria de o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) cometer novos atos terroristas e de como os governos dos Estados Unidos e do Iraque responderão às queixas dos turcos.   Os Estados Unidos alertaram a Turquia contra as incursões no Iraque. Ancara pode ignorar o pedido do governo americano e efetuar a invasão? Se o PKK continuar com os atentados terroristas, provavelmente o governo turco promoverá uma ação militar no Iraque. A probabilidade cresceu ainda mais depois que o Congresso americano aprovou a resolução que define como genocídio o massacre do povo armênio (pelos turcos otomanos) durante a Primeira Guerra Mundial.   Uma eventual incursão não prejudicará seriamente as relações da Turquia com o governo iraquiano? Elas não tornariam o relacionamento com as autoridades curdas ainda pior? Uma incursão pode afetar as relações com o governo iraquiano de modo adverso. É preciso lembrar, no entanto, que o governo do Iraque é fraco e não tem grande apoio no país. Sobre a relação com as autoridades curdas, por outro lado, seria muito ruim. Caso a ação militar aconteça, as hostilidades com Mustafa Barzani, presidente da região autônoma do Curdistão iraquiano, podem se tornar ainda maiores. Algumas forças políticas no Iraque podem ainda não se opor a uma intervenção turca caso ela enfraqueça o governo curdo, contanto que o Exército turco não permaneça por muito tempo no Iraque.

Tudo o que sabemos sobre:
TurquiaIraquecurdos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.