Turquia prende 50 militares suspeitos de armar golpe em 2003

Ex-chefes de cúpula militar estão detidos; grupo planejava atentado contra mesquita e confronto com Grécia

estadao.com.br,

22 de fevereiro de 2010 | 11h22

  Policial patrulha casa de ex-chefe militar preso na Turquia. Foto: Murad Sezer/Reuters  

 

ANCARA - Ao menos 50 militares foram presos na Turquia, nesta segunda-feira, 22, suspeitos de planejar um golpe contra o governo em 2003, afirmou o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. Entre os detidos estão ex-chefes da Marinha e da Força Aérea e um ex-vice das Forças Armadas junto de vários outros comandantes.

 

"Até agora, mais de 50 pessoas foram detidas", afirmou o primeiro-ministro, membro de uma sigla de raízes islâmicas, o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP). Segundo relatos da imprensa turca, a polícia prendeu três generais reformados, durante uma investigação sobre a suposta tentativa de golpe.

 

Os ex-chefes detidos são os antigo comandantes Ibrahim Firtina (Força Aérea), Ozden Ornek (Marinha) e Ergin Saygun (Primeiro Exército). Esses nomes já apareciam nas folhas de acusação de planos de golpe de Estado relacionados com a investigação sobre a Ergenekon, uma rede de ideologia ultranacionalista que pretendia semear o caos na Turquia com atentados e assassinatos políticos para, assim, justificar uma intervenção militar.

 

As detenções estão ligadas à investigação de um plano de golpe de Estado que teria sido preparado em 2003 (Balyoz). O plano golpista previa atentados contra duas mesquitas em Istambul, a derrubada de um avião militar turco no Mar Egeu para forçar um enfrentamento com a Grécia e a prisão intelectuais críticos ao Exército.

 

O chefe do Estado-Maior, o general Ilker Basbug, cancelou a visita que faria ao Egito em virtude das novas detenções, informou o canal CNN na Turquia. O ministro do Interior, Besir Atalay, disse que está acompanhando os fatos. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan realiza uma visita em Madri. "Não demos chances àqueles que tentaram colocar a Turquia fora do caminho da lei, da democracia e da soberania nacional", disse o premiê na capital espanhola sobre as notícias das detenções.

 

A prisão dos altos comandantes sugerem que os promotores tinham evidências dos planos dos ex-militares conseguidas por meio de documentos vazados e grampos telefônicos. Até agora, mais de 400 pessoas foram acusadas por participar do grupo, incluindo soldados, acadêmicos, jornalistas e políticos. Os militares, porém são acusados de instigar um golpe. O processo ainda está em curso e, por isso, ninguém foi condenado.

 

Os militares da Turquia derrubaram quatro governos desde 1960, o que faz muitos especialistas consideraram que são as Forças Armadas que mandam no país desde que Mustafa Kemal Ataturk reergueu a nação depois da queda do império turco-otomano.

 

Sob pressão da União Europeia, bloco no qual deseja ingressar, porém, Erdogan reduziu o poder dos militares e reforçou as instituições democráticas. No domingo, o premiê anunciou novos planos para reformar o Judiciário e a Constituição, ambos legados do golpe militar de 1980, e disse que poderia levar o caso para referendo.

 

(Com Efe e AP)

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