Burhan Ozbilici/AP
Burhan Ozbilici/AP

Turquia prende 7 militares por suposto plano de golpe

Na terça, 50 integrantes das forças de segurança haviam sido detidos e interrogados pelo mesmo motivo

Agência Estado

24 de fevereiro de 2010 | 10h53

Uma corte da Turquia ordenou nesta quarta-feira, 24, a prisão preventiva de sete suspeitos de um suposto plano de golpe contra o governo de raízes islâmicas do país, em 2003. As detenções ocorrem dois dias depois de 50 militares serem presos pelo mesmo motivo, entre eles ex-chefes da Marinha e da Força Aérea.

 

Os suspeitos incluem dois almirantes da ativa, dois almirantes da reserva, um general da reserva e dois coronéis da reserva, segundo a agência de notícias Anatólia. Eles estavam entre os interrogados na terça-feira sobre o suposto plano de golpe. Entre esses militares havia um ex-chefe da Marinha e outro da Aeronáutica, Ozden Ornek e Ibrahim Firtina. A ação foi considerada a mais dura já realizada contra as Forças Armadas turcas, um organismo bastante influente no país.

 

Seis outros suspeitos foram liberados após interrogatórios, segundo a Anatólia. Ornek e Firtina devem ainda ser questionados por promotores mais tarde nesta quarta-feira, em uma corte. O Judiciário então decidirá se eles serão liberados ou ficarão presos até o julgamento.

 

As prisões levaram a uma reunião de emergência na terça-feira, entre generais de quatro estrelas do Exército e almirantes, para discutir a "situação séria", segundo um breve comunicado dos militares. De volta de uma visita à Espanha, o primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan se encontrou com altos membros do governo, no fim da terça-feira.

 

A investigação aprofundou as divisões entre as forças seculares e o governo. Essas divergências atingem o país desde que o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) chegou ao poder, em novembro de 2002. O AKP fazia parte de um movimento islâmico mais amplo no país, agora proibido.

 

Os partidários do AKP afirmam que o Exército, que já derrubou quatro governos e tradicionalmente tem forte peso político no país, deve ser forçado a não se intrometer na arena política. Os oponentes, porém, afirmam que o AKP utiliza essa questão da democratização como pretexto para desacreditar as Forças Armadas, vistas como o pilar do sistema secular turco, ficando com caminho aberto para realizar suas ambições islâmicas.

 

O suposto golpe teria sido tramado em 2003 no Primeiro Exército de Istambul, pouco após o AKP chegar ao poder. Não está claro se os envolvidos teriam tomado alguma ação concreta para implementar o plano, revelado primeiro em janeiro pelo jornal Taraf, que rotineiramente critica os militares.

 

O plano supostamente envolvia a colocação de bombas em mesquitas e o aumento da tensão com a Grécia, desacreditando o governo e provocando sua queda. Militares acusados, porém, garantem que não havia nenhum plano em andamento.

 

A credibilidade da investigação foi questionada após a polícia começar a prender jornalistas, escritores e acadêmicos críticos do AKP, com promotores baseando-se em evidências como cartas anônimas e testemunhas secretas. Alguns suspeitos acusaram a polícia de fabricar provas.

 

Os críticos afirmam que a investigação tornou-se um instrumento de intimidação para desarticular a oposição secular. O procurador-chefe da Turquia afirmou, na semana passada, que examinava se o governo exerce pressão sobre o Judiciário. Caso isso fique comprovado e gere um processo judicial, o AKP poderia até mesmo ser fechado pela Corte Constitucional. Em 2008, o partido escapou por pouco de ser banido por suposta violação do sistema secular turco. As informações são da Dow Jones.

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