Turquia reage a ataque da Síria que matou 5 civis turcos

A artilharia turca atingiu alvos dentro da Síria, depois que um morteiro disparado do território sírio matou cinco civis turcos, levando a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a pedir um fim imediato dos "atos agressivos" do país árabe.

SEYHMUS CAKAN E KADIR CELIKCAN, Reuters

03 de outubro de 2012 | 20h59

No mais grave incidente na fronteira em 18 meses de crise na Síria, a Turquia reagiu nesta quarta-feira ao que disse ser a "gota d'água": a queda de um morteiro em um bairro residencial na cidade de Akcakale, no sul da Turquia.

A Otan se solidarizou com a Turquia, país integrante da aliança militar ocidental, e pediu à Síria que interrompa as "flagrantes violações do direito internacional". O grupo realizou uma reunião urgente no fim da noite (horário europeu) para discutir a questão.

"Nossas Forças Armadas na região da fronteira responderam imediatamente a esse abominável ataque, de acordo com as suas regras de envolvimento; alvos foram atingidos por meio de disparos de artilharia contra lugares na Síria identificados por radar", disse nota divulgada pela assessoria do primeiro-ministro Tayyip Erdogan.

"A Turquia nunca deixará sem resposta esse tipo de provocação por parte do regime sírio contra a nossa segurança nacional", acrescentou a nota.

Não houve detalhes imediatos dos ataques turcos contra a Síria e não ficou claro quem havia disparado o morteiro em direção ao território turco, mas as forças de segurança disseram que a Turquia está aumentando a presença militar junto à fronteira.

A Síria disse estar investigando a origem do morteiro, e pediu calma. O ministro da Informação, Omran Zoabi, manifestou condolências ao povo turco, dizendo que seu país respeita a soberania de nações vizinhas.

A Turquia pediu ao Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) que tome a "ação necessária" para interromper a agressão síria e garantir que a Síria respeite sua soberania territorial.

"É um ato de agressão da Síria contra a Turquia", disse o embaixador turco na ONU, Ertugrul Apakan, em carta ao presidente do Conselho de 15 membros, o guatemalteco Gert Rosenthal.

Na quinta-feira, o Parlamento turco deve aprovar a prorrogação por cinco anos de uma autorização para operações militares transfronteiriças, conforme um acordo originalmente concebido para permitir ataques contra bases de militantes curdos no norte do Iraque.

O projeto seria agora ampliado para incluir operações na Síria, disse um deputado governista à TV local.

MEDO EM AKCAKALE

Depois da explosão do morteiro, moradores de Akcakale se reuniram em frente à prefeitura, temerosos de voltarem para a sua casa. Em toda a cidade, ruídos distantes de artilharia eram audíveis.

"Há 15 dias não conseguimos dormir nas nossas próprias casas, tivemos de dormir nas casas de parentes, mais distantes da fronteira, porque lá não está seguro", disse o comerciante Hadi Celik, 42 anos, pai de cinco filhos, que estava diante da prefeitura.

Os Estados Unidos disseram nesta quarta-feira que continuam ao lado da aliada Turquia, embora Ancara demonstre crescente irritação com a inação das grandes potências para acabar com o conflito.

Erdogan costumava ter boas relações com o governo sírio, mas passou a criticá-lo duramente por causa da repressão aos protestos dos últimos 18 meses contra o regime de Bashar al-Assad, a quem a Turquia acusou de criar um "Estado terrorista'.

Erdogan permite que rebeldes sírios se organizem em território turco e defende a criação de uma zona de segurança sob proteção estrangeira dentro da Síria.

(Reportagem adicional de Seda Sezer e Ece Toksabay, em Istambul; de Mert Ozkan, Jonathon Burch e Tulay Karadeniz, em Ancara; e de Dominic Evans, Oliver Holmes e Laila Bassam, em Beirute)

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