Turquia resolverá caso de militares 'dentro da lei', diz cúpula

Durante a semana, 50 integrantes das Forças Armadas foram presos por suspeita de planejar golpe de Estado

estadao.com.br,

25 de fevereiro de 2010 | 11h45

O primeiro-ministro da Turquia, Tayyip Erdogan, disse que sua reunião desta quinta-feira, 25, com chefes das Forças Armadas e com o presidente para discutir o impasse entre os militares e o governo "foi muito boa", segundo informou a imprensa turca.

 

Um comunicado divulgado depois da reunião anunciou que os problemas serão resolvidos dentro da legislação do país. "O público deve saber que os problemas serão administrados em linha com a lei e todos deverão agir responsavelmente para não abalar as instituições".

 

O encontro foi convocado após a detenção de vários altos comandantes militares por suspeita de integrarem um complô que estaria planejando um golpe de Estado. Além de Erdogan, participaram da reunião o presidente Abdullah Gul e o general Ilker Basbug.

 

Durante a semana, pelo menos 50 militares foram detidos na Turquia. A justiça ordenou a prisão de pelo menos 20 deles. Entre os detidos estão ex-chefes da Marinha e da Força Aérea e um ex-vice-chefe do Exército.

 

A investigação aprofundou as divisões entre as forças seculares e o governo. Essas divergências atingem o país desde que o Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP) chegou ao poder, em novembro de 2002. O AKP fazia parte de um movimento islâmico mais amplo no país, agora proibido.

 

Os partidários do AKP afirmam que o Exército, que já derrubou quatro governos e tradicionalmente tem forte peso político no país, deve ser forçado a não se intrometer na arena política. Os oponentes, porém, afirmam que o AKP utiliza essa questão da democratização como pretexto para desacreditar as Forças Armadas, vistas como o pilar do sistema secular turco, ficando com caminho aberto para realizar suas ambições islâmicas.

 

O suposto golpe teria sido tramado em 2003 no Primeiro Exército de Istambul, pouco após o AKP chegar ao poder. Não está claro se os envolvidos teriam tomado alguma ação concreta para implementar o plano, revelado primeiro em janeiro pelo jornal Taraf, que rotineiramente critica os militares.

 

(Com Efe, Associated Press, Reuters e Agência Estado)

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