Efrem Lukatsky/AP
Efrem Lukatsky/AP

Ucrânia caminha para a ditadura, diz filha de líder

Eugenia Tymoshenko acusa presidente de organizar vingança contra sua mãe, que está em greve de fome

Jamil Chade, correspondente, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2012 | 02h07

GENEBRA - "A Ucrânia está caminhando para se tornar uma nova ditadura e as eleições foram manipuladas antes mesmo de as urnas serem abertas." O alerta é de Eugenia Tymoshenko, filha da ex-primeira-ministra do país, Yulia Tymoshenko, presa desde o ano passado. Nesta segunda-feira, 29, a ex-premiê declarou greve de fome em protesto contra o resultado das eleições regionais.

A família Tymoshenko acredita que a condenação da ex-premiê foi uma forma de evitar que Yulia pudesse concorrer nas eleições gerais. A ex-líder foi condenada a sete anos por abuso de poder ao assinar um contrato com uma empresa de gás da Rússia que teria causado prejuízos de 200 bilhões para a Ucrânia.

Segundo Eugenia, suspeitas sobre o enriquecimento de sua mãe sempre existiram, mas o processo não passa de uma vingança do presidente Viktor Yanukovich, eleito em 2010, contra ela, que foi uma das líderes da Revolução Laranja, em 2004.

"As eleições foram manipuladas antes mesmo de começar e o Ocidente precisa agir para evitar o declínio dos princípios da democracia na Ucrânia", alertou. "A eleição garantiu um poder incontestável ao governo."

Seus assessores tentaram apresentar Yulia como a "Aung San Suu Kyi da Europa", lembrando que a ucraniana foi torturada e só depois da pressão internacional é que médicos puderam atendê-la.

No entanto, na condição de uma das maiores fortunas do Leste da Europa e fundadora de uma empresa de energia que chegou a controlar 25% da economia local, o título não pegou. Eugenia, porém, insiste que a luta não é apenas por sua família.

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