Ucrânia convoca eleições antecipadas para 7 de dezembro

Presidente dissolve o Parlamento após desistir de formar uma nova coalizão de governo com a primeira-ministra

Efe e Associated Press,

09 de outubro de 2008 | 08h30

O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, convocou nesta quinta-feira, 9, eleições parlamentares antecipadas para 7 de dezembro, após dissolver na noite de quarta-feira a Rada Suprema (Parlamento). As eleições convocadas por Yushchenko serão as terceiras a serem feitas em menos de três anos, o que demonstra a gravidade da crise política na Ucrânia, e ocorrerão em um país com a economia já abalada antes da crise financeira mundial.  A coalizão de governo entrou em colapso em setembro, após o partido de Yushchenko ter deixado o grupo político, em protesto contra a decisão da primeira-ministra do país, Yulia Tymoshenko, de apoiar uma proposta da oposição, pró-russa, para reduzir os poderes da figura presidencial. Sob a Constituição da Ucrânia, o presidente pode dissolver o Parlamento, se um novo governo não for formado um mês após a queda do antigo. O decreto do chefe de Estado que dispõe a dissolução da Rada e ordena a realização de eleições num prazo de dois meses, como estabelece a Constituição, foi publicado com data desta quinta na página da Presidência ucraniana na internet. A Ucrânia já realizou em setembro de 2007 um pleito legislativo antecipado, depois de uma longa crise institucional provocada pela troca de partidos ter obrigado Yushchenko a dissolver a Rada escolhida por cinco anos em março de 2006. Segundo todas as pesquisas, o partido de Yushchenko seria um dos grandes perdedores em caso de novas eleições, pois no último pleito já obteve menos votos que as legendas de Yulia e do ex-primeiro-ministro Viktor Yanukovich. No discurso na televisão, Yushchenko, cuja popularidade despencou nos últimos doze meses, acusou sua antiga parceira na chamada "Revolução Laranja" de 2004, a premiê Tymoshenko, de ignorar os interesses nacionais e de buscar o poder acima de tudo. "Eu estou profundamente convencido que coalizão democrática foi arruinada por uma coisa apenas - a ambição de uma pessoa, sua fome de poder... E o predomínio de interesses pessoais sobre os interesses nacionais", disse Yushchenko. Aparentemente, o discurso de Yushchenko foi gravado antes dele ordenar a dissolução do Parlamento, uma vez que ontem ele estava em visita oficial à Itália. Após a "revolução Laranja" de 2004, quando eram aliados, Yushchenko e Yulia tornaram-se cada vez mais rivais políticos. A premiê dizia que o presidente planejava dissolver o Parlamento para marcá-la como uma opositora, com o olho nas eleições presidenciais de 2010.

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