Ucrânia não renovará empréstimo de base à Rússia, diz premiê

Primeira-ministra pró-Moscou tenta buscar apoio para se manter no poder após romper com pró-ocidentais

Agências internacionais,

24 de setembro de 2008 | 10h03

A primeira-ministra da Ucrânia, Yulia Timochenko, disse nesta quarta-feira, 24, que o país não estenderá o empréstimo da base naval de Sebastopol para a Rússia, onde fica instalada a frota russa no Mar Negro, além de 2017, segundo informações da AFP. A premiê, membro do partido pró-Rússia, tenta manter o apoio no Parlamento depois que a aliança com o presidente pró-Ocidente Viktor Yushchenko anunciou o rompimento do acordo, causando uma tempestade política no país. Os partidos iniciarão negociações para formar uma nova aliança em 30 dias. Se fracassarem, a Ucrânia terá de realizar sua terceira eleição legislativa em três anos. O debate sobre a presença naval russa em território ucraniano se intensificou depois da recente intervenção militar da Rússia na vizinha Geórgia, para proteger a região separatista da Ossétia do Sul. Agora, há discussões sobre o latente sentimento russófilo na Criméia, uma região onde há grande população de origem russa. Sebastopol, na península da Criméia, abriga a frota russa do mar Negro há 225 anos, embora o pró-ocidental presidente da Ucrânia, Viktor Yushchenko, - que rompeu a aliança com a premiê ucraniana - já tenha se manifestado contra a renovação da concessão, que vence em 2017. A Marinha russa poderia transferir as operações para uma outra base que está em construção, mas esta é menos adequada do que Sebastopol. "Temos que manter a vigência do acordo até 2017, já que foi firmado pelos dois países e posteriormente fazer da Ucrânia um país livre de qualquer base militar", afirmou Yulia em coletiva de imprensa. Moscou pretende manter a base na Criméia, e diz que apresentará novas "propostas" para tentar convencer Kiev, segundo afirmou o ministro da Defesa russo, Anatoli Serdiukov, na terça-feira. A presença russa na Ucrânia é bastante forte - mais de 50% dos ucranianos falam russo e um quinto da população do país é de russos. A maioria vive na parte oriental do país, mais rica e urbanizada. A Criméia foi considerada parte da Rússia até 1954, quando, em um "ato de boa vontade", foi cedida a Kiev pelo líder soviético Nikita Kruchev, nascido na Ucrânia. No entanto, após o colapso da União Soviética, os dois países passaram a brigar pela posse do território. O conflito foi resolvido em 1997 por meio de um acordo no qual Moscou se comprometeu a pagar US$ 98 milhões por ano, até 2017, para poder usar a base de Sebastopol.  (Com Renata Miranda, de O Estado de S. Paulo)

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