UE ameaça Rússia com sanções por conflito na Geórgia

Moscou falha em conseguir o apoio da China e de aliados da ex-república-soviética para crise no Cáucaso

Agências internacionais,

28 de agosto de 2008 | 07h50

A União Européia considera a imposição de sanções contra a Rússia durante a reunião de emergência marcada para a semana que vem para discutir a crise na Geórgia, disse o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, nesta quinta-feira, 28. O anúncio foi feito no mesmo dia em que o presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, afirmou que seu país tem o apoio "unido" da China e de aliados na Ásia Central para as ações na Geórgia e disse que isso representa um "sinal sério" para o Ocidente. Apesar disso, Pequim e os demais países reunidos na China rechaçaram a operação russa, denunciando o uso da força e reiterando o pedido de respeito pela integridade territorial dos países.     Veja também: Londres: Moscou deve evitar nova Guerra Fria Entenda o conflito separatista na Geórgia   Esta é a primeira vez que Paris, que mantém a Presidência rotativa da UE, levantou a possibilidade de sanções contra Moscou. "Estamos tentando mostrar nosso forte desejo de que não aceitamos" a situação na Geórgia, disse em entrevista, acrescentando não querer "adiantar" quais seriam as sanções. O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, disse que a ameaça da União Européia trata-se de uma resposta emocionada do Ocidente aos acontecimentos na Geórgia.   Medvedev e o presidente da China, Hu Jintao, juntaram-se aos líderes de Casaquistão, Quirguistão, Rússia, Tajiquistão e Usbequistão para a reunião de cúpula da SCO, um grupo regional formado em 2001 para conter a influência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na estratégica região da Ásia Central. "Estou certo de que a posição unida dos Estados-membros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês) tem ressonância internacional", declarou Medvedev. Apesar disso, as esperanças russas de apoio foram encerradas com o comunicado conjunto do grupo reprovando a operação militar, que denunciou o uso da força desproporcional e cobrou respeito pela integridade territorial dos países. A declaração aprofunda ainda mais o isolamento de   A reunião de cúpula na capital do Tajiquistão deve discutir ainda a adesão do Irã ao grupo. O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o afegão, Hamid Karzai, devem comparecer ao encontro. Posteriormente, nesta quinta-feira, haverá uma reunião dos países de língua árabe, com a presença dos líderes do Afeganistão, do Irã e do Tajiquistão.   Medvedev convocou os demais países a reconhecerem a independência de ambas as províncias, mas nenhum outro país o fez até agora e os líderes do G-7 condenaram a atitude de Moscou. Na quarta, Medvedev havia se reunido com Hu Jintao e o informado sobre a situação na Geórgia.   Os sete países mais industrializados (G-7) condenaram de modo unânime a decisão russa de reconhecer a independência das regiões separatistas georgianas, que ampliou o desafio de Moscou ao Ocidente e ameaça inaugurar uma nova Guerra Fria, como já advertiu o próprio presidente russo. Em comunicado conjunto, os ministros de Relações Exteriores do Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos afirmam que o reconhecimento da Ossétia do Sul e da Abkházia "viola a integridade territorial e a soberania da Geórgia e é contrário às resoluções do Conselho de Segurança da ONU apoiadas pela Rússia". Para o grupo, a decisão russa "coloca em dúvida seu compromisso com a paz e a segurança no Cáucaso".

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