UE aprova declaração que permite reconhecimento de Kosovo

União Européia decide de questão é caso único e deixa a critério dos países a decisão sobre o status da região

Agências internacionais,

18 de fevereiro de 2008 | 12h37

Ministros do Exterior da União Européia (UE) aprovaram nesta segunda-feira, 18, uma declaração que abre caminho para que os Estados membros reconheçam a independência de Kosovo. A Alemanha, a França, Reino Unido e Itália adiantaram que reconhecerão o status do novo país europeu, e outras nações européias devem fazer o mesmo. A Espanha, que também enfrenta separatistas em seu território, anunciou que não aceitará a proclamação.   Veja também: Milhares de sérvios protestam contra independência de Kosovo Bush reconhece a independência de Kosovo Sérvia acusa líderes de 'crime contra a ordem' Kosovo luta pelo reconhecimento internacional Guterman: Kosovo independente faz o mundo pisar em ovos  Entenda o que está em jogo em Kosovo Mapa: a disputa dos Bálcãs    O comunicado dos ministros do Exterior da UE afirma que a história de "conflito, limpeza étnica e catástrofe humanitária" promovida pela Sérvia em Kosovo na década de 1990 isenta a província da regra que afirma que as fronteiras internacionais só podem ser alteradas com o acordo de todas as partes. O comunicado permite que as nações da UE reconheçam a independência de Kosovo como uma exceção à regra da "integridade territorial" das nações sob a lei internacional.   O anúncio do reconhecimento da França, o primeiro grande país europeu a apoiar o Kosovo, é um alívio para a capital Pristina. Segundo informou o Ministro de Exteriores, Bernard Kouchner, o presidente Nicolas Sarkozy escreveu ao presidente do Kosovo para conduzir o reconhecimento oficial de Paris. "É o fim dos problemas para os Bálcãs. Eu espero que seja o fim. E agora nós precisamos de reconciliação, mesmo sabendo que isso ainda irá tomar um bom tempo", declarou Kouchner.   O Reino Unido também irá reconhecer a independência do Kosovo, segundo afirmou nesta segunda-feira o secretário de Relações Exteriores de Londres, David Miliband. A Itália também aceitará o status de Kosovo, afirmou o ministro de Exteriores Massimo D'Alema. "A Itália reconhece o Kosovo como um Estado independente sob a supervisão internacional". O ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, se reunirá na quarta-feira, 20, para anunciar o reconhecimento.   O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, reconheceu mais cedo a histórica declaração de independência do Kosovo, ao afirmar que "os kosovares agora são independentes". "É algo que defendi durante meu governo", disse na entrevista à NBC.   O Afeganistão foi o primeiro país a aceitar a proclamação kosovar. "Nós apoiamos a determinação do povo e reconhecemos a independência de Kosovo", declarou Sultan Ahmed Baheen, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país. Assim como no Afeganistão, a maior parte da população do Kosovo é muçulmana. Tanto os líderes afegãos quanto os kosovares têm em comum o apoio americano.   Recusa espanhola   Preocupada com seus próprios movimentos separatistas, a Espanha declarou que não reconhecerá a independência de Kosovo da Sérvia. "O governo da Espanha não reconhecerá o ato unilateral proclamado domingo pela Assembléia de Kosovo", disse a jornalistas o ministro das Relações Exteriores espanhol, Miguel Angel Moratinos, "Não reconheceremos porque consideramos que ela não respeita a lei internacional", afirmou.   Espanha, Grécia, Chipre, Romênia, Bulgária e Eslováquia temem que o caso de Kosovo possa servir de precedente para outras regiões separatistas no mundo e em seus próprios territórios.   A Grécia se colocou ao lado de Chipre, que pretende evitar possíveis problemas com o norte da ilha, ocupado pela Turquia desde 1974. Já na Romênia, há apreensão em relação a uma minoria separatista pró-russa na Moldávia, ao leste do país.   O presidente romeno, Traian Basescu, afirmou que a declaração de independência unilateral da província sérvia do Kosovo "é um ato ilegal" e não será reconhecida pela Romênia sem uma resolução das Nações Unidas. "A Romênia não pode reconhecer a independência do Kosovo à revelia de uma resolução do Conselho de Segurança da ONU e sem o respeito ao direito internacional, sobretudo ao conceito de integridade territorial e inviolabilidade das fronteiras", afirmou Basescu em reunião com líderes partidários.

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