UE condena uso de passaportes em morte de líder do Hamas

Investigadores encontraram documentos britânicos, irlandeses, franceses e alemãos usados por assassinos

Efe,

22 de fevereiro de 2010 | 11h30

A União Europeia (UE) condenou de forma firme o uso de passaportes e cartões de crédito de países europeus na operação de assassinato de Mahmoud al-Mabhouh, um alto dirigente do Hamas, em Dubai.

 

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Os ministros de Assuntos Exteriores da UE aprovaram nesta segunda-feira, 22, uma declaração em que se afirma também que o assassinato, cometido em Dubai em 20 de janeiro, é uma ação que não pode minar a paz e a estabilidade no Oriente Médio. No entanto, o texto estipulado não inclui nenhuma menção a Israel, principal suspeito do assassinato e cujo chanceler, Avigdor Liberman, se reuniu com vários ministros do bloco europeu.

 

"A UE condena firmemente o fato de os envolvidos na ação terem usado passaportes e cartões de crédito de Estados-membros da UE", assinala o texto dos ministros europeus, que ainda não foi divulgado oficialmente. As autoridades de Dubai identificaram 11 suspeitos do assassinato de Mabhouh. Eles viajaram para o emirado com passaportes de Reino Unido, Irlanda, França e Alemanha.

 

O chanceler espanhol, Miguel Angel Moratinos, disse antes da reunião com Lieberman que a União europeia está "extremamente preocupada com o fato de que os passaportes europeus, que são documentos legais e rigorosos, puderam ser utilizados com tais finalidades".

Já o presidente francês, Nicolas Sarkozy, foi mais incisivo e condenou terminantemente a "execução" do dirigente do Hamas, durante a entrevista coletiva que deu ao lado do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

 

"Esse tipo de acontecimento não faz nada além de avivar as tensões e não tem nada de positivo. Quero voltar a dizer sem nenhuma ambiguidade que a França condena todas as execuções. Nada pode justificar esses métodos, isso não é mais que um assassinato", acrescentou.

 

Abbas também condenou o episódio e lembrou que "há uma investigação em curso" e que é necessário esperar sua conclusão para saber os primeiros resultados. Para o líder palestino, se trata de "um assassinato doloroso e difícil", mas o melhor a fazer "é esperar o fim da investigação".

 

A UE assegura que o passaporte comunitário ainda é um dos mais seguros do mundo, pois incluem diversas medidas de segurança "para evitar a falsificação e uso indevido".

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