UE defende continuidade da ratificação do Tratado de Lisboa

Após derrota, Irlanda pede soluções conjuntas; ministros pedem para que processo não seja interrompido

Agências internacionais,

16 de junho de 2008 | 09h15

Ministros de Relações Exteriores da União Européia defenderam nesta segunda-feira, 16, a continuidade do processo de ratificação do Tratado de Lisboa nos oito Estados-membros que ainda não se pronunciaram, numa tentativa de responder à rejeição da Irlanda ao documento que reforma o funcionamento do bloco.   Veja também: Entenda o referendo na Irlanda e o Tratado de Lisboa   Segundo o chanceler irlandês, Micheal Martin, ainda é "muito cedo" para buscar por uma solução ao veto imposto pela população irlandesa, como o que foi feito em 2002 e garantiu resultado positivo contra a rejeição de outro tratado do bloco. Martin afirmou que os cidadãos votaram e "sua decisão deve ser respeitada", embora também tenha mostrado compreensão sobre a continuação do processo de ratificação nos outros países em Parlamentos.   "A Europa precisa de um pouco de reflexão e análise. Não podemos ignorar o ocorrido", afirmou o ministro esloveno de Exteriores, Dimitri Rupel, país que exerce até o final do mês a Presidência rotativa da União Européia. "Seria arriscado dizer que ressuscitaremos o tratado quando estamos diante de um bloqueio", disse Rupel.   O ministro irlandês pediu para que a Europa busque soluções conjuntas para o resultado negativo do referendo. "Já estivemos nesta situação antes e, juntos, os membros da UE trabalharam para seguir adiante". Martin admitiu que o governo está "decepcionado com o resultado". "Estamos em uma situação incerta", reconheceu   Javier Solana, Alto Representante da UE para Política Externa e Segurança Comum, mostrou-se confiante na solução do problema, apesar de ter dito que ainda não sabe como resolvê-lo. Já o ministro de Relações Exteriores da Finlândia, Alexander Stubb, afirmou claramente que o Tratado de Lisboa "não está morto" e que o processo de integração européia "não foi interrompido".   No encontro, houve um consenso sobre a importância de se dar tempo à Irlanda para o fim do impasse. "O governo e o povo da Irlanda não serão forçados" a nada, disse o ministro de Relações Exteriores britânico, David Miliband.   O ministro de Relações Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, afirmou que espera por uma solução ainda neste ano, e sugeriu que uma nova votação pode ser realizada após adaptações do tratado com as preocupações irlandesas. "Existem pensamentos sobre se o modelo dinamarquês, de 1992, é o ideal", afirmou Steinmeier, referindo-se às saídas que permitiram que os dinamarqueses endossassem o Tratado de Maastricht depois de rechaçá-lo em um referendo.   O resultado do referendo irlandês será o grande assunto da cúpula de líderes da União Européia. Paris está particularmente preocupada, já que se prepara para assumir a Presidência rotativa do bloco de 27 países em julho. A França está entre os países que pedem que o processo continue, apesar da rejeição ao tratado, aprovado por 18 países, mas que precisa da aprovação de todos os 27 países-membros para entrar em vigor. Reino Unido, República Checa, Suécia, Chipre, Itélia, Espanha, Holanda e Bélgica ainda não encerraram o processo.   Segundo a BBC, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, deve chegar a Praga, na República Checa, nesta segunda-feira para discutir o assunto com líderes da República Checa, Polônia, Hungria e Eslováquia. O Tratado foi escrito com o objetivo de ajudar o bloco a lidar com a expansão para o Leste Europeu.   Entre as reformas propostas pelo Tratado estão a criação de uma Presidência do Conselho de Ministros da UE com longo mandato, um chefe de política exterior mais poderoso e a remoção do poder de veto de países em um maior número de áreas de decisão.   Matéria atualizada às 15 horas.

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