UE diz monitorar França por expulsão de ciganos

A União Europeia disse nesta sexta-feira que está observando atentamente as expulsões de ciganos da França, para assegurar que as regras de livre movimentação de pessoas dentro do bloco estejam sendo respeitadas.

Reuters

10 de agosto de 2012 | 18h49

A polícia retirou nesta semana centenas de ciganos de acampamentos improvisados, e repatriou dezenas deles para a Romênia, num sinal de que o presidente socialista, François Hollande, está mantendo as políticas de expulsão de estrangeiros que eram adotadas por seu antecessor conservador, Nicolas Sarkozy.

Há dois anos a Comissão Europeia (Poder Executivo da UE) já havia colocado a França sob escrutínio por causa da expulsão de membros da etnia rom (ciganos).

"Estamos monitorando a situação", disse a porta-voz da Comissão Europeia, Mina Andreeva, à Reuters.

Ela afirmou que a Comissão, encarregada de fiscalizar o cumprimento de tratados da UE, solicitou mais informações às autoridades francesas sobre as expulsões.

O ministro francês do Interior, Manuel Valls, disse que os acampamentos foram dissolvidos por questões sanitárias, e que os imigrantes só são repatriados depois de uma avaliação individual sobre o seu status jurídico na França. "As repatriações não ocorrem, de forma nenhuma, como expulsões forçadas e coletivas", afirmou ele em nota.

Mas grupos de direitos humanos não parecem convencidos disso. "As promessas de Hollande de acabar com a discriminação contra os roma (plural de rom) não poderiam soar mais vazias diante dos fatos desta semana", disse em nota Veronika Szente Goldston, diretora da Human Rights Watch.

"Ao invés de abraçar a abordagem do seu antecessor, o governo Hollande deveria urgentemente reparar a problemática expulsão dos roma", acrescentou ela.

Estima-se que 15 a 20 mil membros da etnia rom vivam na França, a maioria deles oriundos da Romênia e Bulgária. Ambos os países são membros da UE, mas, devido à oposição da Holanda, ainda não tiveram aprovada sua adesão ao "Espaço Schengen", conjunto de países europeus entre os quais não há controles fronteiriços.

Críticos da política de Sarkozy para os ciganos dizem que muitos deles aceitavam o pagamento de 300 euros (370 dólares) oferecidos pela França para quem fossem embora, mas que voltavam logo depois.

Há 12 milhões de ciganos roma vivendo no Leste Europeu, especialmente na Romênia, Bulgária, Eslováquia e Hungria.

(Reportagem de Chine Labbe; Reportagem adicional e redação de Nicholas Vinocur)

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