UE não deu 'um euro' para libertar enfermeiras, diz Sarkozy

Após 'pesadelo' de búlgaros, francês afirma que quer ajudar Líbia a se reintegrar na comunidade internacional

Efe,

24 Julho 2007 | 11h32

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, anunciou nesta terça-feira, 24, que viajará à Líbia e garantiu que nem a França nem a União Européia ofereceram "um euro" pela libertação das enfermeiras e do médico búlgaros que deixaram as prisões líbias.   Veja também: Enfermeiras ácusadas de contaminar crianças chegam à Bulgária   Em entrevista coletiva no Palácio do Eliseu, Sarkozy anunciou que na próxima quarta fará uma viagem "política" à Líbia, após o fim do "pesadelo" vivida pelas cinco enfermeiras e do médico, libertados esta terça-feira em Trípoli. Os profissionais de saúde foram acusados de contaminar centenas de crianças com o vírus da aids.   Na última semana, eles haviam recebido uma comutação em sua pena, mudando a sentença de pena de morte para prisão perpétua.   Sarkozy garantiu que nem a França nem a UE pagaram "um euro" pela libertação dos presos, que foram indultados pelo presidente da Bulgária, Georgi Parvanov, logo após chegar a Sófia a bordo de um avião oficial francês, esta manhã. "A França pagou um euro? A resposta é não. A Europa pagou um euro além do acordo que já existia? A resposta é não", declarou Sarkozy.   O presidente pediu "mais pragmatismo na resolução de problemas internacionais". Além disso, explicou que seu "deslocamento político" faz parte do seu desejo de "ajudar a Líbia a se reintegrar na comunidade internacional". Ele destacou o papel que o país pode desempenhar na luta contra o terrorismo e a imigração ilegal.   Pena   Ao lado do primeiro ministro, François Fillon, e do ministro de Relações Exteriores, Bernard Kouchner, o presidente francês destacou que o fim do "calvário" de oito anos e meio vivido pelos seis voluntários foi possível graças aos esforços de diversas partes. "A Europa está convencida da inocência e boa-fé dos seis", acrescentou.   "Já era hora de que isso terminasse", avaliou Sarkozy. Ele destacou o trabalho de sua mulher, Cecilia Sarkozy, assim como a mediação "extremamente importante" do Catar, a cooperação do presidente da Comissão Européia (órgão executivo da UE), José Manuel Durão Barroso, e a "coragem e inteligência" da comissária de Relações Exteriores da UE, Benita Ferrero-Wagner.   Sarkozy e Barroso, durante a negociação, concluíram que "era necessária a intervenção de um Estado amigo", numa alusão ao Catar. "As conversas entre Catar e Líbia, dois países árabes, não são assunto nosso e não cabe a nós informar sobre elas", disse.   O emir do Catar e sua mulher estiveram no dia 14 de julho no desfile nos Champs-Elysées, em Paris, por ocasião da festa nacional francesa, como convidados de honra. "As enfermeiras búlgaras, no meu coração, eram francesas. Não juridicamente, mas porque tinham sido acusadas injustamente, tinham sofrido muito e era preciso que fossem tiradas dali", acrescentou Sarkozy.   Negociação   O presidente não entrou em detalhes da negociação. Ele deixou claro também que a sua mulher, que falou várias vezes com Kadafi, não revelará o papel que desempenhou.   Sarkozy respondeu às críticas sobre o seu novo estilo e o papel de Cecilia. "Resolvemos um problema, e ponto. Não se deve teorizar sobre uma nova organização da diplomacia francesa, ou o estatuto da mulher do chefe de Estado, ou sei lá o quê. Era preciso tirar as enfermeiras da Líbia, e isso é o que conta", comentou.   Segundo o chefe de Estado, o caso "não era um assunto clássico, que se pudesse tratar de forma clássica". Por enviou o seu "mais próximo colaborador há anos", o secretário-geral do Palácio do Eliseu, Claude Guéant, ao lado de Cecilia. Os dois viajaram duas vezes à Líbia este mês.   "Compreendemos que um ponto-chave seria nossa capacidade de levar em conta todos os sofrimentos, os das enfermeiras e das famílias que perderam seus filhos", disse Sarkozy. Sua mulher, então, entrou com a sua "sensibilidade".   "Era um problema de mulheres e um problema humanitário. Achei que Cecilia podia fazer algo útil, o que fez com muita coragem e sinceridade, e com muita humanidade e brio", disse.   "Não é uma nova forma de diplomacia. Havia um problema a resolver, e nós resolvemos. Ponto", insistiu Sarkozy.

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