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UE pede 'calma' e 'responsabilidade' a Kosovo independente

Países da Europa se dividem sobre 'novo Estado' e bloco deve definir posição sobre o assunto em reunião na 2ª

Efe,

17 de fevereiro de 2008 | 20h56

A União Européia (UE) recebeu a proclamação de independência do Kosovo neste domingo, 17, com pedidos de calma e responsabilidade das autoridades do novo Estado, para que estejam à altura das circunstâncias. O alto representante da UE para a Política Externa e de Segurança, Javier Solana, transmitiu a mensagem em conversa telefônica com o primeiro-ministro albano-kosovar, Hashem Thaçi, informaram à Agência Efe fontes do gabinete do chefe da diplomacia européia.  Veja também: Kosovo declara independência da SérviaONU dá apoio 'indireto' a Kosovo independente'Sérvia nunca reconhecerá o Kosovo', diz presidenteRússia quer que ONU anule independência de KosovoKosovo tem explosões e tensão após independência Kosovo: independência aumenta abismo entre Rússia e OcidenteEntenda o que está em jogo em KosovoMapa: a disputa dos Bálcãs  O Kosovo busca agora o reconhecimento da comunidade internacional, o que pode ocorrer na segunda-feira, após a reunião, em Bruxelas, do Conselho de Ministros de Assuntos Exteriores da União Européia (UE). Washington está disposto a ressuscitar o plano de paz para o Kosovo do finlandês Martti Ahtisaari, antigo enviado da ONU para a província, que em 2007 recomendou uma soberania supervisada e tutelada internacionalmente. Países da Europa Alguns governos europeus se pronunciaram esta tarde e também pediram contenção tanto aos kosovares, que saíram às ruas para celebrar sua independência, quanto aos sérvios, que anunciaram que lutarão para recuperar o território. Segundo o ministro de Assuntos Exteriores alemão, Frank-Walter Steinmeier, a estabilidade dos Bálcãs deve ter prioridade e, para isso, é necessário que todas as partes implicadas mantenham nos próximos dias tranqüilidade e mostrem moderação. O ministro de Exteriores francês, Bernard Kouchner, desejou "boa sorte" a kosovares e sérvios, sugerindo a eles que "não tomem as coisas de forma trágica". O titular de Assuntos Exteriores de Portugal, Luís Amado, alegou que tem havido aceitação implícita da independência do Kosovo por parte da UE desde 2006, quando se aprovou o plano de independência tutelada do ex-presidente finlandês Marti Ahtisaari. O governo holandês destacou a importância de não tomar "decisões precipitadas" e disse acreditar que os ministros de Exteriores da União Européia chegarão a um "ponto de vista comum" nesta segunda. A Eslováquia e a Romênia, contrárias à independência, advertiram que vêem neste processo "um precedente perigoso", e defenderão esta posição amanhã em Bruxelas. A Espanha, que não reagiu por enquanto, é o único dos "cinco grandes" da UE que é contra a declaração de independência, dado seu caráter unilateral. Os outros quatro grandes Estados europeus, Reino Unido, França,Itália e Alemanha, devem coordenar seu reconhecimento ao novo país após a reunião desta segunda, segundo fontes britânicas. A Eslovênia, que exerce a Presidência rotativa da UE, ajustará seus passos sobre a proclamação da independência do Kosovo com seus parceiros europeus, afirmou o chefe do governo esloveno, Janez Jansa. Novo Estado O presidente kosovar, Fatmir Sejdiu, disse à imprensa em Pristina que agora que foi proclamada a independência tem "a honra de convidar todos os países do mundo a estabelecer relações diplomáticas normais" com o novo Estado. O primeiro-ministro, Hashem Thaçi, que leu no Parlamento a declaração de independência, assegurou que o novo Estado vai respeitar os direitos das minorias e ressaltou que "o Kosovo será um Estado democrático e multiétnico". "O Kosovo é a Sérvia e sempre será assim", declarou, contrariamente, o primeiro-ministro sérvio, Vojislav Kostunica, que se mostrou contra "a política destrutiva, imoral e brutal" dos Estados Unidos, acusando o país de ter levado à declaração do quedenominou um "Estado falso". Kostunica disse que a UE "baixou a cabeça" diante da "humilhação" americana, "e por isso será responsável por todas as conseqüências da independência do Kosovo na ordem internacional". O presidente sérvio, Boris Tadic, que deve viajar hoje a Nova York para participar de uma sessão do Conselho de Segurança, também afirmou que o país nunca reconhecerá a independência do Kosovo e assegurou que as reações da Sérvia serão pacíficas, diplomáticas e jurídicas. A Rússia qualificou de "ato ilegítimo" a proclamação unilateral de independência de Kosovo e descreveu como "construtiva" a atitude da Sérvia. O primeiro-ministro albanês, Sali Berisha, felicitou os albano-kosovares pela proclamação da independência e destacou que este é o "momento mais solene da nação albanesa". Estados Unidos O presidente dos EUA (o principal impulsor da independência do Kosovo), George W. Bush, assegurou na Tanzânia - durante a viagem que faz pela África - que Washington cooperará com seus aliados para evitar a violência na região. "Os EUA seguirão trabalhando com seus aliados, fazendo o possível para assegurar que não haverá violência", disse Bush, segundo a transcrição de uma entrevista coletiva divulgada pela Casa Branca. O secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Sheffer, pediu "a máxima contenção e moderação" de todas as partes no Kosovo e convocou para esta segunda uma reunião do Conselho Atlântico, principal órgão decisório da Aliança.

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