UE planeja rever segurança nuclear; França pode se beneficiar

Líderes europeus provavelmente adotarão medidas rígidas sobre a segurança nuclear esta semana, indicou um documento provisório ao qual a Reuters teve acesso, uma iniciativa que pode beneficiar a França, que procura argumentos em favor de seus reatores avançados EPR.

PETE HARRISON, REUTERS

23 de março de 2011 | 13h42

Governos europeus vêm fazendo uma revisão de sua política nuclear na esteira do terremoto e tsunami de 11 de março no Japão, que danificaram a usina nuclear de Fukushima, 241 quilômetros ao norte de Tóquio, liberando radiação no ambiente.

A Alemanha rapidamente suspendeu as operações em sete usinas nucleares velhas; a Áustria pediu a realização de "testes de estresse" em toda a Europa; a Itália anunciou uma moratória de um ano sobre usinas novas, e a Bulgária intensificou as restrições a seu projeto nuclear de Belene, próximo de uma zona de atividade sísmica.

A França, importante exportadora de tecnologia nuclear, vem promovendo os aspectos de segurança de seus reatores EPR de próxima geração enquanto compete por vendas nos mercados internacionais.

Uma grande intensificação da segurança nuclear poderá traduzir-se em novas receitas para a empresa francesa Areva, fabricante de reatores, que afirma que suas usinas de última geração são mais seguras que a tecnologia mais antiga e conseguem resistir a choques importantes, como terremotos e quedas de aviões.

"A segurança das usinas nucleares da UE deve ser revista com base em uma avaliação ampla e transparente de riscos e segurança - testes de estresse", disse o texto provisório de uma declaração preparada para ser assinada por líderes da UE em uma cúpula marcada para Bruxelas na quinta e sexta-feira.

O texto provisório também diz que testes de estresse devem ser desenvolvidos no menor prazo possível e que deve ser feito uso pleno de especialistas, especialmente da Associação de Reguladores Nucleares da Europa Ocidental (Wenra).

Em uma reunião de emergência de ministros europeus da área energética, no início da semana, a França já se manifestou a favor da Wenra, que procura difundir as melhores práticas em matéria de segurança nuclear.

A empresa francesa Areva está construindo quatro usinas nucleares - uma na França, uma na Finlândia e duas na China -, mas vem se esforçando para vender mais.

Sua direção vem sendo criticada por vender reatores potentes e caros a economias emergentes, sendo que muitos países podem preferir tecnologia mais barata que tenha eficácia comprovada.

Os problemas da empresa foram agravados pelo fato de sua usina construída na Finlândia ter excedido os custos previstos e pela perda de um contrato de 40 bilhões de dólares em Abu Dhabi para um consórcio sul-coreano.

Mas a crise nuclear japonesa mudou a paisagem dos vendedores de usinas nucleares.

A Areva vai procurar usar a crise em seu favor, contra seus rivais internacionais, se a Polônia decidir levar adiante os planos para construir seus primeiros reatores.

A Grã-Bretanha também vem planejando um renascimento nuclear para substituir seus reatores mais antigos, fato que promete oportunidades rentáveis para empresas de energia e de construção.

(Reportagem de Pete Harrison e Julien Toyer)

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