UE quer pressão da OMC sobre exportadores de alimentos

A Organização Mundial do Comércio (OMC)deve pressionar os países produtores de alimentos a manteremsuas exportações, de modo a não agravar a atual crise alimentarglobal, disse na quarta-feira o comissário (ministro) deComércio da União Européia, Peter Mandelson. O aumento nos preços alimentícios provoca protestos emvários países da África, Ásia e América Latina, tendo inclusivederrubado o gabinete do Haiti. Temendo um contágio, algunspaíses proibiram as exportações de produtos essenciais. "Se restringirmos o comércio, estamos simplesmenteacrescentando escassez alimentar aos já grandes problemas deescassez alimentar que existem em diferentes países", disseMandelson a jornalistas durante visita a Tóquio. "A OMC defende o livre comércio. Precisa exercer suapressão e influência para reduzir as tarifas e, portanto,estimular o comércio. Tem também de se erguer contra restriçõesa exportações, os impostos de exportação, que também vãoimpedir o livre o fluxo no comércio de gêneros alimentícios eda produção agrícola." Mandelson também defendeu mais ajuda humanitária parapaíses que enfrentam problemas imediatos. "Nossa reação [àcrise] tem de ser internacional. Se as pessoas adotarem medidasunilaterais nacionais, estas quase certamente vão fracassar",afirmou ele, dizendo no entanto compreender as pressõespolíticas internas que levam às restrições sobre asexportações. Na véspera, o Japão, grande importador de alimentos, disseque a OMC deveria estabelecer regras claras contra asrestrições aos exportadores. Mandelson disse que a preocupação com a segurança alimentare a crise financeira global estimulam avanços na chamada RodadaDoha da abertura comercial global, que vem sendo discutidadesde 2001. A próxima reunião de ministros para tratar da Rodada Dohadeve ocorrer no fim de maio ou em junho, disse Mandelson naterça-feira à agência japonesa Kyodo. Antes, houve especulaçõesde que o encontro poderia ocorrer na semana de 19 de maio. O presidente da Comissão Européia, José Manuel Barroso, e oprimeiro-ministro japonês, Yasuo Fukuda, manifestaram naquarta-feira "forte preocupação" com o aumento dos alimentos ecombustíveis e concordaram sobre a necessidade de tratarurgentemente dessa questão, especialmente nos países emdesenvolvimento. Mandelson e outros dirigentes da Comissão Européia (PoderExecutivo da UE) embarcam na quinta-feira para a China, ondeesperam resolver discordâncias a respeito de questõesclimáticas e comerciais.

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