UE sinaliza sanções ao Banco Central do Irã

Os governos da União Europeia concordaram em congelar bens do Banco Central iraniano, paralelamente à adoção de um embargo ao petróleo do país, mas ainda não decidiram como evitar que o comércio não-petrolífero seja afetado pelas sanções, segundo diplomatas.

REUTERS

18 de janeiro de 2012 | 19h45

Os representantes do bloco intensificaram nos últimos dias a discussão sobre um novo pacote de sanções contra o programa nuclear do Irã, a fim de que ele seja formalizado numa reunião ministerial marcada para segunda-feira em Bruxelas.

O embargo petrolífero já havia sido anteriormente aceito, mas a sua implantação ainda depende de detalhes.

"A respeito do Banco Central, as coisas têm andado na direção certa nas últimas horas", disse um diplomata da UE. "Há agora um amplo acordo sobre o princípio. As discussões sobre os detalhes continuam."

Os EUA e vários países europeus suspeitam que o Irã esteja tentando desenvolver armas nucleares, algo que Teerã nega. No final de dezembro, os EUA já haviam adotado sanções contra qualquer instituição que mantiver negócios com o BC iraniano, o que na prática impede muitos países de adquirirem petróleo da República Islâmica.

Alguns países da UE temem que as sanções impeçam o comércio de produtos permitidos, segundo diplomatas. Isso tem levado a acalorados debates nos últimos dias a respeito dos termos usados no pacote. Uma nova reunião está marcada na quinta-feira com a intenção de aprofundar as discussões e preparar o texto a ser votado na semana que vem.

Além dos detalhes acerca do Banco Central, os diplomatas devem discutir também os prazos para a adoção do embargo petrolífero, de modo a permitir a conclusão dos atuais contratos, e os mecanismos para a avaliação do efeito das sanções.

Os atuais planos, que ainda não foram aprovados por todos os países da UE, preveem a implantação gradual do embargo a partir de julho.

Alguns países, como a França, querem apressar o cronograma, ao passo que outros, como a endividada Grécia, pedem mais tempo para se adaptar ao embargo. Atenas depende fortemente do petróleo iraniano, porque Teerã o oferece sob condições financeiras favoráveis.

Um diplomata europeu disse que os países da UE também discutem a possibilidade de ampliar a lista dos chamados produtos de uso duplo, os quais são proibidos pela UE por causa da possibilidade de terem finalidade militar.

(Reportagem de Justyna Pawlak, Julien Toyer, Ilona Wissenbach e Francesco Guarascio)

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