UE 'vigia de perto' expulsão de ciganos na França, diz porta-voz

Segundo funcionário, governo não pode impedir que ciganos regressem após terem deixado o país

Reuters e BBC,

18 de agosto de 2010 | 18h30

Crianças ciganas de acampamento em Lille

 

PARIS- A União Europeia está acompanhando de perto a campanha do governo da França para expulsar ciganos do país, afirmou nesta quarta-feira, 18, o porta-voz da comissária de Justiça e Direitos.

 

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A decisão de expulsar os ciganos, em sua maioria da Romênia e da Bulgária, causou preocupação em grupos de defesa dos direitos humanos e partidos da oposição, que advertiram o presidente de que ele poderia estar estigmatizando toda uma comunidade.

 

O governo francês anunciou que iniciará na quinta-feira a expulsão dos primeiros 79 ciganos de um total de cerca de 700 em situação ilegal que deixarão o país até o final deste mês, segundo o ministro do Interior, Brice Hortefeux.

 

As 79 pessoas aceitaram receber a ajuda para retorno voluntário de 300 euros por adulto (cerca de R$ 670) e 100 euros por criança (cerca de R$ 220) concedida pelo governo francês.

 

"Estamos observando muito de perto a situação para garantir que as leis sejam respeitadas", disse Matthew Newman, porta-voz da comissária europeia Viviane Reding.

 

"Se um Estado deporta alguém, temos de assegurar que seja proporcional. Deve ser pela base do caso a caso, e não de toda uma população", afirmou o funcionário.

 

Segundo Newman, a legislação comunitária permite o livre deslocamento dos cidadãos, o direito a viajar, trabalhar e viver no país que escolham dentro dos 27 Estados-membro, e que a França não pode impedir o regresso de nenhum cigano que expulse.

 

Discurso de Sarkozy

 

Desde o final de julho, os ciganos estão na mira do governo francês, que vem intensificando projetos polêmicos de medidas repressivas contra os estrangeiros em geral, após o pronunciamento sobre segurança feito pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, em julho, que ficou conhecido como "discurso de Grenoble".

 

Além de citar seus planos para acabar com os "acampamentos selvagens" de ciganos na França, estimados em quase 600, Sarkozy havia anunciado em Grenoble seu projeto de ampliar os motivos que permitem a retirada da nacionalidade francesa de pessoas naturalizadas.

 

Desde então, já foram desmantelados 51 acampamentos ilegais.

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