Umberto Eco se diz ansioso pela queda de Berlusconi na Itália

O filósofo e romancista italiano Umberto Eco espera que o primeiro-ministro do seu país, Silvio Berlusconi, deixe o cargo dentro de uma semana, no que seria para ele o fim de um longo pesadelo.

REUTERS

07 de novembro de 2011 | 20h46

"Em uma semana, Berlusconi será provavelmente obrigado a renunciar. É o fim de um pesadelo", disse Eco, de 79 anos, numa entrevista destinada a promover seu novo romance, "O Cemitério de Praga", a ser lançado na terça-feira nos Estados Unidos.

Berlusconi, um magnata conservador de 75 anos, perdeu o apoio de parte da bancada governista em meio a uma crescente crise política e econômica que ameaça desestabilizar ainda mais a economia europeia.

"Teríamos tido esta crise econômica sem Berlusconi, mas o problema teria sido mais leve. Ele não é respeitado no exterior, então não pode representar o país", disse o inflamado Eco, agitando um charuto fino e apagado entre os dedos.

Berlusconi, que já foi premiê da Itália em três ocasiões desde 1994, enfrentou nos últimos meses uma onda de escândalos sexuais e acusações de corrupção, mas é a situação financeira da Itália que ameaça derrubá-lo.

"Se Berlusconi desaparecer amanhã, os problemas não terão acabado, mas pelo menos no fórum internacional a Itália será tratada com respeito", disse Eco, cujo romance "O Nome da Rosa", de 1980, vendeu milhões de exemplares no mundo todo.

O escritor não acha, no entanto, que as alternativas políticas disponíveis sejam muito melhores. "A oposição é tão doente quanto Berlusconi. Eles estão brigando entre si, então não serão capazes de oferecer uma alternativa sedutora. Esta é a segunda tragédia da história."

NOVO LIVRO

"O Cemitério de Praga", uma aventura histórica que já se tornou best-seller em diversos países, é o sexto romance de Eco.

O livro conta a história de um falsificador responsável por um famoso documento que se torna uma das bases para o antissemitismo na Europa: os Protocolos dos Sábios do Sião.

Eco já tinha quase 50 anos quando começou a escrever romances, após uma bem sucedida carreira acadêmica. Já era autor de vários livros de não ficção e de ensaios quando decidiu buscar novos desafios.

"Num certo momento, decidi escrever uma história. Eu não tinha mais filhos pequenos para os quais contar histórias", afirmou o autor, sentado na beirada de uma poltrona, vestido de forma casual com jaqueta de "tweed", camisa de brim e gravata de tricô.

E o sucesso como ficcionista o surpreendeu?

"Quando a gente começa a escrever um livro, especialmente um romance, até a pessoa mais humilde do mundo espera virar um Homero", disse Eco em tom brincalhão.

(Reportagem de Edward McAllister)

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