União Europeia anunciará sanções contra o Irã na segunda, diz França

Banco Central iraniano deve ser alvo de restrições devido ao programa nuclear de Teerã

Reuters

19 de janeiro de 2012 | 13h15

PARIS - Os ministros das Relações Exteriores da União Europeia devem anunciar um embargo de petróleo contra o Irã e um congelamento dos bens de seu banco central em uma reunião marcada para segunda-feira, disse nesta quinta, 19, o ministro francês das Relações Exteriores, Alain Juppé.

 

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A França liderou os pedidos por novas sanções para pressionar o Irã a suspender seu programa nuclear enquanto conversas entre o Irã e seis potências mundiais - Estados Unidos, Rússia, China, Grã-Bretanha, França e Alemanha- chegaram a um impasse.

 

"Na segunda-feira, no encontro entre ministros das Relações Exteriores da UE, seremos capazes de chegar a um acordo sobre o pacote de sanções nessas duas áreas", disse Juppé a jornalistas na quinta-feira, após se reunir com seu colega australiano Kevin Rudd.

Diplomatas da UE disseram que os governos-membros concordaram em princípio em congelar os bens do banco central iraniano junto com o planejado embargo de petróleo, mas ainda precisam chegar a um acordo sobre como proteger das sanções o comércio não relacionado ao petróleo.

França, Grã-Bretanha e Estados Unidos aumentaram a pressão sobre Teerã depois que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) expressou preocupação com o programa nuclear do Irã em novembro passado.

Antes, o ministro das Relações Exteriores da Turquia, Ahmet Davutoglu, repetiu declarações de Rússia e Irã de que todos os lados estavam prontos para retomar as negociações, mas Juppé estava cético.

"Sempre dissemos que estamos prontos para o diálogo", disse Juppé. "(A chefe da política externa da UE Catherine) Ashton fez ofertas concretas, mas infelizmente até hoje o Irã não se comprometeu de maneira transparente ou cooperativa com esse processo de discussão. É por essa razão que, a fim de evitar uma opção militar irreparável, temos que reforçar as sanções", declarou.

Falando ao lado de Juppé, Rudd disse que a China e outros países que ainda importam petróleo iraniano deveriam ter em mente que as potências mundiais estão determinadas a aplicar mais pressão sobre Teerã para forçá-lo a mudar sua posição sobre o enriquecimento de urânio.

Em resposta a esta pressão, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, defendeu a extensa importação de petróleo do Irã para seu país. O Irã é o quinto maior exportador da commodity ao mundo.

"Instamos nossos amigos em Pequim (e) outros lugares na Ásia a refletirem seriamente sobre isso", disse Rudd. "Pedimos que eles fiquem atentos a outros na comunidade internacional que buscam fazer a pressão necessária para que o governo iraniano mude de posição."

Rudd disse que a Austrália, que anteriormente adotou sanções contra o Irã, iria "refletir e agir de acordo" com a nova rodada de sanções da Europa. "O Irã continua a agir com desafio, deixando a comunidade internacional com muito poucas opções", disse.

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