União Européia suspende sanções contra Cuba

Chanceleres dos 27 países membros do bloco retomam relações diplomáticas para estimular mudanças na ilha

Agências internacionais,

19 de junho de 2008 | 19h01

A União Européia (UE) resolveu nesta quinta-feira, 19, anular as sanções diplomáticas impostas ao regime cubano e abrir um diálogo político incondicional. Os 27 ministros de Assuntos Exteriores dos países membros do bloco adotaram a medida durante um jantar realizado em uma cúpula que acontece em Bruxelas, na Bélgica. A decisão, que será revista em um ano, foi simbólica, uma vez que as restrições não eram econômicas, afetando assim apenas os diplomatas europeus.   A Comissária de Relações Externas da UE, Benita Ferrero-Waldner, que anunciou o fim das sanções de cinco anos, disse que o bloco acredita que a medida deve encorajar as mudanças em Cuba. "Haverá uma mensagem muito clara sobre o que os cubanos ainda devem fazer: libertar prisioneiros e realmente trabalhar nas questões dos direitos humanos", declarou aos repórteres na cúpula européia.  "Além disso, faremos inspeções para verificar se as mudanças ocorreram", acrescentou.   As medidas restritivas contra a ilha haviam sido impostas em 2003, em resposta à prisão de 75 dissidentes e suspensas anteriormente em 2005. A suspensão definitiva das sanções pela UE foi decidida depois das reformas políticas e econômicas implantadas pelo novo presidente cubano Raúl Castro.   Para Cuba, era indispensável que o bloco suspendesse completamente os embargos antes do estabelecimento de um diálogo com as autoridades européias. Alguns países membros, como a República Checa e Suécia, ficaram relutantes quanto à aprovação, e defenderam que Cuba deveria melhorar a situação dos direitos humanos antes do fim das restrições.    Condições   Os ministros do Exterior europeus aprovaram uma série de condições que serão impostas ao regime cubano em troca do fim das sanções. O plano inclui a libertação de todos os prisioneiros políticos, o acesso a internet para todos os cubanos e a permissão da viagem de todas as delegações européias à ilha, reunindo-se tanto com a oposição quanto com os membros do governo Castro.   A UE se compromete ainda a "destacar perante o governo cubano seu ponto de vista sobre a democracia, os direitos humanos universais e as liberdades fundamentais", e a pedir que Hvana respeite a liberdade de expressão e de informação.   Resposta americana   Os Estados Unidos, que mantém um embargo comercial contra a ilha por mais de 50 anos, não têm planos para revogar as sanções.   "Nós certamente não vemos nenhum tipo de mudança fundamental na ditadura Castro que nos dê razões para acreditar que agora é a hora de levantar as sanções", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano Tom Casey. "Não vamos apoiar a União Européia ou qualquer outro que pretenda aliviar as restrições agora", completou.   Oposição cubana   Organizações cubanas de dissidentes internos disseram estar decepcionadas com a decisão da UE. Os opositores também previram que a medida fará aumentar a repressão sobre a dissidência.   Eles ressaltaram que a situação que motivou as sanções ainda não mudou. "Para nós não muda nada. Vamos continuar lutando pelas mudanças rumo à democracia. Isto confirma o que já sabíamos. Não podemos contar com alguns países da União Européia", declarou Vladimiro Roca, do grupo Todos Unidos.   Miriam Leiva, fundadora das Damas de Branco, que agrupa familiares dos 75 dissidentes presos em 2003, afirmou, por sua vez, que as sanções eram "muito úteis", já que, graças a elas, "a situação dos presos não piorou ainda mais" e "talvez haja alguns vivos."   "Infelizmente", disse Leiva, "estamos no mesmo há 50 anos. Fidel Castro consegue levar todos para onde quiser. Esperamos que Raúl Castro cumpra as mudanças que este povo requer urgentemente."    

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