Unicef condena ação de ONG de tirar crianças do Chade

A embaixada francesa quer a transferência dos detidos

EFE,

28 de outubro de 2007 | 01h34

A iniciativa da ONG francesa L'Arche de Zoé de retirar 103 crianças do Sudão e do Chade, que provocou a prisão neste país de sete espanhóis e nove franceses, foi considerada ilegal pelo presidente do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) na França, Jacques Hintzy. O organismo da ONU não sabe com precisão se todas as crianças são realmente órfãs, como foi assegurado pela ONG, e realiza uma investigação para estabelecer os laços familiares dos menores, disse Hintzy em comunicado. Desde o início do conflito em Darfur (Sudão), em 2003, o Unicef e outras organizações deram alimentos, educação e proteção às crianças da região, e adotaram uma medida pela qual um menor órfão deve ser levado para outros membros de sua família ou comunidade. "A adoção só pode ser um último recurso e deve ser feita de forma legal", afirmou o presidente do Unicef na França, lembrando que a agência da ONU não estimula a iniciativa nem o apadrinhamento de crianças, para evitar a ação de pessoas interessadas em se aproveitar da situação. Os espanhóis detidos no Chade são tripulantes de um avião contratado pela L'Arche de Zoé para levar as crianças à França e estão em dependências policiais, onde foram visitados por um médico militar francês que certificou que eles estão bem de saúde e não sofreram maus-tratos. Fontes do Ministério de Assuntos Exteriores espanhol informaram à Agência EFE que as prisões são parte de uma investigação judicial aberta no Chade e na França para esclarecer se a transferências das 103 crianças corresponde a um caso de tráfico de menores. A Espanha não conta com representação diplomática no Chade, e por isso o cônsul de Camarões viaja neste domingo, 28, ao país para se reunir com autoridades do Ministério de Exteriores chadiano e solucionar a situação dos espanhóis. As autoridades francesas, que negociam a libertação dos nove membros da L'Arche de Zoé, comunicaram às homólogas espanholas que o cônsul francês na capital N'Djamena visitou os tripulantes do avião da companhia espanhola Girjet de vôos charter, que puderam receber assistência médica e comida. A embaixada francesa quer a transferência dos detidos, ou pelo menos das mulheres, para dependências da Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur). O diretor comercial da Girjet, Antonio Cajal, disse que o avião em questão dispunha de todas as permissões outorgadas pelas autoridades do Chade para aterrissar no país e foi contratado para realizar uma operação humanitária,ao levar as crianças africanas doentes a Reims (França), onde deveriam ser operadas.

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