Universidade critica BBC por viagem disfarçada à Coreia do Norte

Uma destacada universidade britânica criticou a BBC neste domingo por organizar uma viagem acadêmica para a Coreia do Norte para, na realidade, fazer um documentário disfarçado, e disse ainda que a emissora pôs em perigo alunos que não tinham conhecimento dos planos.

BY MICHAEL HOLDEN, Reuters

14 de abril de 2013 | 12h16

A London School of Economics (LSE) afirmou que três jornalistas da BBC - incluindo o respeitado repórter John Sweeney -se juntaram a uma viagem de um grupo de estudantes no final de março, passando-se por turistas para fazer um filme sobre a Coreia do Norte, um recluso país comunista.

Segundo a universidade, os estudantes foram informados de que um "jornalista" iria acompanhá-los, mas não havia ficado claro que o objetivo da BBC era usar a visita para gravar um documentário para o "Panorama", um programa de atualidades.

"Esta não foi uma viagem oficial da LSE", escreveu o diretor da universidade, Craig Calhoun, no Twitter. "Pessoas que não eram estudantes e a BBC a organizaram, usaram a entidade estudantil para recrutar alguns alunos, e assim transcorreu".

As tensões na península coreana se intensificaram nas últimas semanas, tendo a Coreia do Norte ameaçado desencadear uma guerra nuclear contra os Estados Unidos e Coreia do Sul.

O secretário-geral da entidade estudantil da LSE, Alex Peters Dias, disse à Sky News que somente numa fase bem posterior os alunos foram informados da intenção da BBC de fazer disfarçadamente um filme e que uma aluna afirmou só ter ficado a par disso quando estavam no avião com destino à Coreia do Norte.

Ela disse que a BBC usou os estudantes como "escudos humanos".

A universidade afirmou que Sweeney, formado na LSE em 1980, se apresentou à Coreia do Norte como seu aluno de pós-graduação em história para conseguir entrar no país, embora ele atualmente não tenha ligações com a instituição.

"Funcionários da BBC admitiram que o grupo foi deliberadamente enganado quanto ao envolvimento da BBC na visita", afirmou a LSE em um e-mail para funcionários e alunos, liberado também para a mídia.

"A opinião da LSE é que não foram dadas informações suficientes aos alunos para permitir um consentimento bem respaldado, e eles ainda ficaram em perigo, caso o subterfúgio tivesse sido descoberto antes de sua partida da Coréia do Norte".

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