Uso do véu em universidades volta a ser proibido na Turquia

Secularistas afirmam que uso é manifestação política e recusam o direito à educação de jovens com o véu

Agências internacionais,

05 de junho de 2008 | 12h16

A Corte Constitucional turca decidiu nesta quinta-feira, 5, que o uso de véus islâmicos não pode ser permitido nas universidades do país. A decisão é uma derrota para o governo, que tentou permitir o uso desse tipo de vestimenta argumentando tratar-se de uma questão de religião e livre-arbítrio. Segundo a principal instância judiciária da Turquia, os projetos aprovados pelo Parlamento em fevereiro liberando o uso do véu nessas instituições ferem os princípios seculares da Constituição.   Para alguns analistas, essa decisão pode ser um indício ruim para a situação em outro processo. O procurador-chefe do país quer a dissolução do governante Partido Justiça e Desenvolvimento (AKP), do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, argumentando que este é "o principal foco de atividades contra o secularismo no país".   O AKP é um partido de raízes islâmicas moderadas. Seus opositores acusam a sigla de querer impor preceitos dessa fé ao país, que tem o secularismo bastante arraigado.   A elite secular da Turquia acredita que a proibição do uso do véu em prédios públicos é essencial para manter a separação entre religião e Estado. Generais do Exército, juízes e autoridades das universidades são a favor da proibição do uso do véu em lugares públicos. Eles argumentam que a liberação do véu vai apenas aumentar a pressão social para que as mulheres se cubram. Pesquisas de opinião no país indicam que o público apóia o fim da proibição, que já dura décadas.   A proibição do uso dos véus em universidades foi imposta na década de 80 e foi reforçada nos últimos dez anos. Os dois partidos ligados ao atual governo concordam que o uso da vestimenta é uma questão ligada aos direitos humanos e à liberdade.  

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