Sean Gallup/EFE
Sean Gallup/EFE

União Europeia começa a vacinação em massa contra a covid-19

Alemanha, França, Luxemburgo, Bélgica, Espanha, Áustria, Itália e Bulgária dão início a processo neste domingo e na segunda; Irlanda começa ainda nesta semana

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de dezembro de 2020 | 08h56
Atualizado 28 de dezembro de 2020 | 00h32

A campanha de vacinação em massa contra a covid-19 começou neste domingo, 27, em diversos países da União Europeia. O bloco econômico já conta com doses para imunizar 450 milhões de habitantes em uma ação unificada.  Por causa do plano integrado para o continente, não apenas os países com maior poderio econômico, como Alemanha e França, dão início à administração das doses hoje mas também nações como Luxemburgo, Bélgica, Áustria, Espanha e Bulgária.

A vacina utilizada para a campanha na União Europeia foi desenvolvida em parceria pela farmacêutica americana Pfizer com a alemã BioNTech. Antes do fim do ano, 12,5 milhões de doses estão previstas para chegarem aos países selecionados.

Nem todos os países iniciarão o processo ao mesmo tempo. A Irlanda deve começar a distribuir suas doses na quarta-feira, 30. Já na Holanda, a vacinação deve começar apenas no dia 8 de janeiro por conta de um problema de tecnologia para solucionar a logística de distribuição dos imunizantes.

Enquanto isso, Hungria e Alemanha já deram início ao processo neste sábado, 26, com a chegada de 4.875 doses em Budapeste e com a primeira vacinada da Alemanha, uma mulher de 101 anos em uma casa de repouso. Eslováquia, Sérvia e Suíça também já haviam dado a largada no continente.

Na Itália, que emergiu como o epicentro da pandemia no começo do ano, médicos e enfermeiras do hospital Spallanzani, em Roma, foram os primeiros a receber a vacina. "Estou aqui como cidadã, mas principalmente como enfermeira, para representar minha categoria e todos aqueles que escolheram acreditar na ciência", disse Claudia Alivernini, uma das primeiras italianas a receber a dose do imunizante. 

O hospital Spallanzani foi a unidade médica que tratou os dois primeiros pacientes com covid-19 no país europeu. "Hoje é um dia lindo e simbólico", disse Domenico Arcuri, comissário de emergência da Itália para coronavírus. "Todos os cidadãos europeus juntos estão começando a receber suas vacinas, o primeiro raio de luz depois de uma longa noite."

Arcuri também advertiu os italianos: "Devemos continuar a ser prudentes, cautelosos e responsáveis. Ainda temos uma longa estrada a frente, mas finalmente vemos um pouco de luz".

Na Espanha, a primeira a ser vacinada foi Araceli Hidalgo, residente em uma casa de repouso de 96 anos. "Vamos ver se conseguimos todos nos comportar e fazer esse vírus ir embora", disse ela.

Na República Tcheca, o primeiro-ministro Andrej Babis foi vacinado ao vivo pela televisão, junto com um veterano da Segunda Guerra Mundial. "Não há nada com o que se preocupar", afirmou Babis sobre a vacina.  

Apesar do início da vacinação, houve descontentamento por parte da população europeia pelo fato de que a vacina, desenvolvida em parte na Alemanha, começou a ser administrada quase três semanas antes nos Estados Unidos e uma semana antes no Reino Unido, que formalizou o acordo para deixar a União Europeia recentemente, quatro anos e meio após a decisão de sair do bloco econômico.

"Simplesmente não há vacinas suficientes", disse Markus Söder, primeiro-ministro do estado alemão da Baviera, ao jornal Bild no domingo.

As 200 milhões de doses da vacina Pfizer/BioNTech encomendadas pela União Europeia serão divididas igualmente entre cada um dos seus estados membros de acordo com o tamanho da população, o que significa que a Alemanha, com 18 por cento da população do bloco, receberia cerca de 36 milhões de doses - o suficiente para vacinar 18 milhões de pessoas, pouco mais de 20% de sua população. O país criou uma série de centros de vacinação em massa em arenas esportivas e centros de exposições.

O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, chamou o imunizante, que foi desenvolvido em tempo recorde, de uma “virada de jogo”. “Sabemos que hoje não é o fim da pandemia, mas é o início de uma vitória”, afirmou.

As doses da vacina, desenvolvida pela americana Pfizer e pela alemã BioNTech, começaram a chegar aos hospitais da UE na sexta-feira, vindas de uma fábrica na Bélgica. Cada país deve receber apenas uma fração do que precisa – menos de 10 mil nos primeiros lotes. Em janeiro, uma remessa maior deve estar disponível. 

Ao todo, as 27 nações da UE registraram pelo menos 16 milhões de infecções por coronavírus e mais de 336 mil mortes – números assustadores, que os especialistas ainda dizem que podem ser maiores por causa da subnotificação e da testagem limitada.

As empresas farmacêuticas disseram que os prazos de entrega dependem de quando os pedidos foram feitos e, enquanto os Estados Unidos e o Reino Unido tenham feito os pedidos da vacina no início do verão, a União Europeia só finalizou o pedido em novembro, após meses de negociações.

Outros países pelo mundo já iniciaram a imunização de suas populações. Na América Latina, México, Chile e Costa Rica começaram suas campanhas e a Argentina deve dar início antes do fim do ano. No Oriente Médio, Arábia Saudita, Emirados Árabes, Israel, Bahrein, Qatar e Kuwait já começaram a imunizar seus habitantes. Rússia e China também estão vacinando suas populações com imunizantes desenvolvidos em seus respectivos territórios

Franceses temem reação adversa da vacina

 A França, o país que registrou a primeira morte pela doença no bloco, em 15 de fevereiro e onde há um questionamento sobre segurança das vacinas, o governo tem sido cauteloso em suas mensagens e está empenhado em mostrar que a imunização não será feita à força. No país, a campanha começou ontem em um lar de idosos em uma área pobre fora de Paris, mas não foi transmitida ao vivo pela TV, como ocorreu em outros lugares da Europa, e nenhum ministro estava presente.

“Não precisamos convencê-la. Ela disse: ‘Sim, estou pronta para qualquer coisa para evitar essa doença’”, disse Samir Tine, chefe de serviços geriátricos da casa de saúde Sevran onde foi aplicada a primeira injeção no país, em uma idosa de 78 anos.

Entre os políticos que receberam vacinas ontem, como uma forma de incentivar a população a aceitar a imunização, estava o ministro da Saúde da Bulgária, Kostadin Angelov. “Mal posso esperar para ver meu pai de 70 anos sem medo de que eu possa infectá-lo”, disse Angelov. O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, também foi imunizado. “É um grande dia para a ciência e para a União Europeia.”  / AP, AFP, NYT e WP

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