Vaticano defende energia nuclear para fins pacíficos

Cardeal afirma que oposição à energia nuclear é contraproducente e considera uma 'forma de energia limpa'

REUTERS

01 de agosto de 2007 | 12h45

A energia nuclear deve ser considerada umafonte útil de energia, disse um influente cardeal católico naquarta-feira, criticando países que proibiram tal tecnologia. Entrando em um debate que divide os ambientalistas, ocardeal Renato Martino disse que a energia nuclear deve serparte de uma matriz energética equilibrada, junto com "formasde energia limpa". Muitos ativistas consideram que a energia atômica éinsustentável e insegura. "Com exigências de segurança máxima em vigor para aspessoas e o meio ambiente, e com uma proibição do uso hostil datecnologia nuclear, por que o uso pacífico da tecnologianuclear deveria ser proibido?", argumentou Martino, ministro daJustiça da Santa Sé, à Rádio do Vaticano. O programa nuclear iraniano chama a atenção para aspreocupações com a proliferação de armas nucleares, enquantomuitos países europeus escolheram não ter usinas nuclearesdevido a preocupações com o meio ambiente e possíveisacidentes. Martino disse que tal política pode ser contraproducente. "Excluir a energia nuclear por causa de um princípiopré-concebido ou por temores de desastres pode ser um engano e,em muitos casos, pode ter efeitos paradoxais. Deve-se pensar naItália, que abandonou a produção de energia nuclear em 1987,mas que importa o mesmo tipo de energia da França", disseMartino, ex-núncio apostólico na ONU. Em 1986, logo após o desastre da usina de Chernobyl(Ucrânia, então União Soviética), os italianos votaram emreferendo pelo fim do uso da energia nuclear. Defensores da tecnologia dizem que ela pode reduzir adependência em relação a combustíveis fósseis, que emitem osgases do efeito estufa, responsáveis pelo aquecimento global. No domingo, o papa Bento 16 marcou o 50o aniversário daAgência Internacional de Energia Atômica (AIEA, um órgão daONU) pedindo "um desarmamento nuclear progressivo e acordado, eo favorecimento ao uso pacífico e garantido da tecnologianuclear para o real desenvolvimento".

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