Vaticano pede que líderes corruptos da África renunciem

Bispos também acusaram empresas multinacionais no continente de 'crimes contra a humanidade'

REUTERS

23 de outubro de 2009 | 17h36

Durante o sínodo que está sendo realizado no Vaticano - reunião de diversos mebros de diferentes hierarquias de uma religião - bispos católicos pediram nesta sexta-feira, 23, que líderes católicos corruptos de países da África se arrependam e renunciem aos seus cargos por estarem passando uma imagem ruim do continente e da Igreja.

Cerca de 200 bispos africanos e dezenas de outros bispos e especialistas em África também acusaram empresas multinacionais no continente de "crimes contra a humanidade" e fizeram um chamado aos africanos para que estejam conscientes das tentativas de organizações internacionais de destruírem valores africanos tradicionais.

O sínodo de três semanas, cujo encerramento formal será domingo, com a celebração de uma missa pelo papa Bento 16, enfocou uma ampla gama de problemas da África, como Aids, corrupção, pobreza, desenvolvimento e crime.

A mensagem para os líderes africanos criados como católicos foi bem direta:  "Muitos católicos em altos cargos lamentavelmente ficaram aquém em seu desempenho. O sínodo pede que tais pessoas se arrependam ou deixem a arena pública e parem de causar danos ao povo e de transmitirem uma imagem ruim da Igreja Católica." A mensagem não indicou nenhum nome de líder africano.

A comunidade internacional pede há anos que Robert Mugabe, do Zimbábue, criado como católico e educado por jesuítas, renuncie, dizendo que ele levou à bancarrota seu país, antes próspero. Um outro líder africano também criado como católico e acusado de corrupção é o presidente de Angola, Eduardo dos Santos. Os dois homens negam ter cometido esses erros.

Grupos de defesa dos direitos humanos e entidades internacionais acusam o governo de Angola de desviar bilhões de dólares dos rendimentos do petróleo e pedem que seja mais transparente.

Angola extrai quase tanto petróleo como a Nigéria, o maior produtor da África, mas cerca de dois terços de sua população vive com menos de 2 dólares por dia. Na lista de países percebidos como mais corruptos, Angola está no 158o lugar, em um total de 180 nações.

O sínodo também atacou com força as multinacionais, dizendo que elas são um dos grandes problemas da África.

"As multinacionais têm de parar com sua devastação criminosa do meio ambiente em sua exploração voraz de recursos naturais", disseram os bispos.

"É uma política de curta visão o fomento de guerras para obter ganhos rápidos do caos, ao custo de vidas humanas e de sangue. Não existe ninguém capaz e com vontade de interromper todos esses crimes contra a humanidade?"

Em uma parte sobre Aids, a mensagem dos bispos repetiu a posição da Igreja de que a doença não poderia ser impedida com o uso de preservativos.

Em março, quando estava a caminho de sua primeira visita à África, o papa causou um turbilhão internacional ao dizer que o uso de preservativos poderia, na realidade, agravar a disseminação da Aids.

A Igreja ensina que a abstinência pré-marital e a fidelidade em uma relação heterossexual são os melhores meios de prevenir contra a disseminação da doença.

Os bispos disseram que o mundo desenvolvido tem de tratar a África com respeito e se empenhar em remover "estruturas injustas que pesam fortemente contra o continente."

O sínodo salientou que as nações africanas devem "fazer um escrutínio cuidadoso" de programas oferecidos pela comunidade internacional para pôr fim a "tentativas sub-reptícias de destruir e minar os preciosos valores africanos da família e da vida humana."

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