Vaticano tenta acalmar judeus sobre prece da Sexta-Feira Santa

O Vaticano tentou nasexta-feira tranqüilizar os judeus a respeito de uma novaoração, que segundo alguns representa um apelo por suaconversão. A Igreja explicou que a prece não indica alteração naelevada estima dos católicos pelos judeus e no seu desprezopelo anti-semitismo. Mas alguns grupos judaicos acham queapenas essas declarações não bastam. A Liga Anti-Difamação considerou perturbador que o Vaticanonão tenha "dito especificamente que a Igreja Católica se opõeao proselitismo em relação aos judeus" e acusou o Vaticano de"dar dois passos à frente e três passos atrás." Em uma nota -- que segundo fontes do Vaticano foi aprovadae parcialmente redigida pelo papa --, a Igreja salienta que anova oração, adotada em alguns ritos da Sexta-Feira Santa, "deforma alguma pretende indicar uma mudança na estima da IgrejaCatólica pelos judeus". Fontes judaicas e católicas disseram que a mensagem foientregue ao secretariado do rabinato-chefe de Israel. O Vaticano tenta resolver a polêmica antes da viagem destemês do papa aos Estados Unidos, onde ele vai reunir-se comlideres judaicos e visitar uma sinagoga de Nova York. Em fevereiro, o Vaticano reviu uma polêmica oração latinausada por católicos tradicionalistas na Sexta-Feira da Paixão,retirando a alusão à "cegueira" dos judeus em relação a Cristoe os pedidos para que Deus "remova o véu de seus corações". Mas os judeus lamentaram que a nova versão ainda diga queos judeus deveriam reconhecer Jesus como o salvador de todos oshomens. A nota de sexta-feira diz que a relação com os judeus aindase baseia na histórica declaração Nostra Aetate, do ConcílioVaticano Segundo (1965), que repudiava o conceito de culpacoletiva dos judeus pela morte de Cristo. "A Nostra Aetate apresenta os princípios fundamentais quesustentaram e continuam a sustentam os laços de estima,diálogo, amor, solidariedade e colaboração entre católicos ejudeus", diz a nota. A Igreja "rejeita cada atitude de desprezo e discriminaçãocontra os judeus, repudiando firmemente qualquer tipo deanti-semitismo", acrescentou.O rabino David Rosen, presidente do Comitê JudaicoInternacional para as Consultas Inter-religiosas e importanteinterlocutor do Vaticano também disse esperar uma renúnciaexplícita ao proselitismo. "Está implícito na nota que a estima e a solidariedadeimplicam que o proselitismo é inapropriado, mas eu ficaria maisfeliz se isso tivesse sido dito explicitamente", disse Rosen àReuters.

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