Gregorio Borgia/AP
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Vaticano vê vazamentos como ataque pessoal contra o papa

Terceiro homem na hierarquia vaticana considerou 'criminosa' a publicação de documentos furtados

REUTERS

29 Maio 2012 | 17h44

CIDADE DO VATICANO - O Vaticano qualificou nesta terça-feira, 29, o vazamento de documentos furtados da Santa Sé como um ataque pessoal "brutal" contra o papa Bento 16, enquanto um poderoso grupo de cardeais caça mais culpados pela crise, a maior do atual pontificado.

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Em entrevista ao L'Osservatore Romano, jornal oficial do Vaticano, o subsecretário de Estado Angelo Becciu, terceiro homem na hierarquia vaticana, considerou "criminosa" a publicação de documentos furtados num recente livro do jornalista italiano Gianluigi Nuzzi.

Foi a primeira vez que o jornal mencionou a prisão do mordomo particular do papa, ocorrida há quase uma semana, refletindo a fúria da Santa Sé com o caso. O jornal disse que o mordomo Paolo Gabriele, de 46 anos, estava de posse de "um grande número" de documentos privados do pontífice.

"O ato a que ele (papa) foi submetido é brutal", disse Becciu. "Bento 16 viu a publicação de documentos furtados da sua casa."

O escândalo estourou na semana passada, quando, no intervalo de poucos dias, o presidente do banco oficial do Vaticano foi demitido repentinamente, o mordomo foi preso, e Nuzzi lançou um livro relatando conspirações entre cardeais.

No sábado, Gabriele foi indiciado por furto qualificado, mas fontes envolvidas nos vazamentos disseram à imprensa italiana que o mordomo foi um mero bode expiatório, escolhido para ser punido no lugar de cardeais interessados nos vazamentos.

Uma comissão cardinalícia está investigando o escândalo, e o Vaticano disse que ela "pode decidir ouvir qualquer um que eles acharem que tenha informações sobre esse caso".

"Posso confirmar que várias pessoas foram ouvidas ou interrogadas, e naturalmente isso é algo que pode continuar, porque ainda estamos na fase investigativa", disse o padre Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé.

Ele negou que haja cardeais suspeitos de envolvimento no escândalo. Lombardi disse que o material apreendido com Gabriele provavelmente inclui textos impressos e em formato eletrônico.

"(O vazamento) tocou o papa muito de perto e criou uma situação de dor. Naturalmente ele deseja conhecer a verdade e a correta interpretação desses fatos", afirmou o porta-voz.

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