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Veja linha do tempo do caso de incesto na Áustria

Josef Fritzl prendeu e estruprou a filha em um porão por 24 anos, com quem teve sete filhos; um deles morreu

Agências internacionais,

18 de março de 2009 | 12h45

Nos 24 anos que manteve sua filha Elisabeth presa em um porão, estuprando-a rotineiramente (calcula-se mais de 3 mil vezes), Josef Fritzl teve sete filhos com a vítima. Exames de DNA confirmaram que as seis crianças que sobreviveram ao cárcere são do austríaco - um dos filhos, gêmeo nascido em 1996, não resistiu e morreu alguns dias após o parto. Fritzl teria incinerado o corpo do bebê em um forno. Dos seis filhos, porém, apenas três continuaram presos com a mãe. Os outros foram levados para ser criados com "os avós", por causa do barulho que faziam.

 

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mais imagens Imagens do local em que Fritzl prendeu a filha

video Vídeo: Veja imagens do julgamento

 

Fritzl disse à sua mulher que Elisabeth havia entrado em uma seita e entregado seus filhos a ela. As outras três crianças não tinham visto a luz do dia até o caso vir a público. Fritzl foi desmascarado ao levar uma delas a um hospital, o que levantou suspeitas dos médicos. Veja a linha do tempo do caso de incesto:

 

 

1977

Josef Fritzl comete o primeiro abuso sexual contra sua filha Elisabeth, que tinha 11 anos

 

1982

Elisabeth foge de casa

 

28 de agosto de 1984

Fritzl atrai Elisabeth para o porão de sua casa, drogando-a e algemando-a antes de trancá-la no local pelos próximos 24 anos

 

29 de agosto de 1984

Pais denunciam o desaparecimento de Elisabeth. Um mês depois, eles recebem uma carta escrita pela jovem, aparentemente escrita por ela, afirmando que eles não deveriam procurá-la. A filha afirmou para a polícia que Rosemarie, a mãe, não sabia da verdade

 

1988-90 (aproximadamente)

Nasce Kerstin, a primeira dos sete filhos que Fritzl teve com Elisabeth, e cresce dentro do porão. Outro filho, Stefan, também nasce pouco tempo depois e cresce no local.

 

19 de maio de 1993

Um bebê de nove meses, Lisa, é "descoberto" no quintal da casa da família em Amstetten, com uma carta aparentemente escrita por Elisabeth afirmando que não poderia cuidar da criança. Lisa é adotada pelos Fritzl.

 

15 de dezembro de 1994

Um segundo bebê, Monika, aparece nas mesmas circunstâncias. Assim como Lisa, a criança é adotada pelo casal.

 

1996

Elisabeth dá a luz a gêmeos, mas um deles morre horas após o parto por problemas respiratórios. O corpo do bebê é incinerado por Fritzl.

 

1997

Um terceiro bebê, o gêmeo sobrevivente, Alexander, aparece na casa com cerca de 15 meses. Ele é adotado e passa a viver com os outros dois irmãos.

 

1998

Segundo informações da imprensa, neste ano Fritzl foi para a Tailândia passar férias, uma de suas muitas viagens. Oficiais afirmam que a família escondida no porão pode ter ficado sem alimento durante sua ausência.

 

2003

Chega uma nova carta de Elisabeth, afirmando que ela teve outro filho, Felix, em dezembro de 2002. A criança cresceu no porão com os irmãos mais velhos Kerstin e Stefan.

 

2008

19 de abril

Kerstin, a filha de 19 anos de Elisabeth, fica gravemente doente. Fritzl leva a jovem ao hospital e afirma que Elisabeth deixou a menina doente em casa com ele. Quando Kerstin entra em coma, os médicos chamam a polícia, que emite um apelo para que Elisabeth Fritzl entrasse em contato.

 

19 a 26 de abril

Nesta semana, segundo informações da polícia, Fritzl solta Elisabeth e os dois filhos do porão, afirmando para a mulher que a filha escolheu voltar para casa.

 

26 de abril

Depois de receber uma ligação anônima, a polícia prende Fritzl, que está com Elisabeth nos arredores do hospital em que Kerstin está hospitalizada. Os filhos de Elisabeth são encontrados em casa. Durante o interrogatório, Elisabeth, agora com 42 anos, revela as décadas de aprisionamento e abuso sexual

 

27 de abril

A polícia anuncia a prisão de Fritzl por suspeita de incesto e sequestro. Todas as crianças são levadas para uma clínica, onde recebem tratamento médico e psicológico. Fritz dá aos policiais o código secreto do porão. Todos os filhos de Elisabeth se encontram no hospital em que Kerstin está.

 

28 de abril

Fritzl confessa ter aprisionado a filha no porão por 24 anos e confirma aos investigadores que uma das crianças morreu ao nascer e que o corpo foi jogado no incinerador

 

29 de abril

A polícia confirma que os testes de DNA confirmam que Fritzl é o pai dos filhos de Elisabeth

 

30 de abril

A polícia afirma que Josef Fritzl se recusa a responder perguntas logo depois de sua confissão assinada.

Elisabeth e seus filhos estão juntos em uma ala isolada de uma clínica médica, sendo supervisionados por uma equipe multidisciplinar durante 24 horas.

 

Os que foram mantidos presos precisam se acostumar com espaço, luz e, principalmente, alimentação diferente, segundo as autoridades. Uma festa de aniversário improvisada é feita para uma das crianças, de 12 anos.

 

O chanceler da Áustria, Alfred Gusenbauer, promete proteger a imagem do país com uma campanha em países estrangeiros. "Não vamos permitir que o país inteiro seja mantido refém por um único homem", afirmou o chanceler.

 

Junho

Kerstin sai dos aparelhos de respiração artificial e se une aos irmãos e a mãe. Eles mudam para um local secreto, com novas identidades. Os promotores dizem que Fritzl é mentalmente qualificado para ser julgado. Autoridades alegam que a avaliação psiquiátrica do aposentado de 73 anos aponta que ele é lúcido o suficiente para enfrentar o julgamento, ainda que sofra de uma "profunda desordem de personalidade"

 

15 de outubro

 

Promotores declaram que Josef Fritzl tem condições mentais de ser julgado. As autoridades afirmam que uma avaliação psiquiátrica pedida pela Justiça mostrou que Fritzl, de 73 anos, mostrou a lucidez necessária para ser julgado, mesmo sofrendo de um "profundo distúrbio de personalidade".

 

13 de novembro

Josef Fritzl é acusado formalmente de assassinato de um dos sete filhos que teve com Elisabeth. A criança teria morrido no porão logo depois do nascimento. Promotores alegam que o menino foi assassinado por negligência, pois Fritzl não procurou ajuda de médicos que poderiam ter salvado a vida da criança.

 

2009

22 de janeiro

A Justiça define que Fritzl será julgado em 16 de março.

 

16 de março

O réu, de 73 anos, é acusado de assassinato, coerção, prática de escravidão, incesto, estupro e cárcere privado. No início do julgamento, o réu havia se declarado inocente das acusações de assassinato e prática de escravidão, e apenas "parcialmente" culpado da acusação de estupro.

 

18 de março

O austríaco se declarou culpado de todas as acusações no terceiro dia de seu julgamento em Sankt Pölten, na Áustria. Fritzl disse que o depoimento de sua filha, exibido no tribunal na terça-feira, fez com que ele mudasse de ideia.

 

19 de março

Fritzl foi culpado por unanimidade por todos os crimes de que era acusado, incluindo estupro, incesto, assassinato por negligência e prática de escravidão.  Ele é condenado à prisão perpétua, que será cumprida em um hospital psiquiátrico. O réu não demonstrou nenhuma emoção durante a leitura do veredicto, afirmou que aceitava a sentença e não entrará com recurso. Antes, Fritzl afirmou que lamentava o ocorrido "do fundo do coração". "Não posso fazer mais nada a respeito (...). Lamento isso do fundo do meu coração o que fiz a minha família. Infelizmente, não posso desfazer o que fiz. Posso apenas tentar limitar o dano da melhor forma que puder",
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