Veltroni e Berlusconi travam batalha por votos na Itália

Após crise política, cerca de 47 milhões de italianos escolhem neste domingo o novo chefe de governo

Efe,

12 de abril de 2008 | 16h28

Mais de 47 milhões de italianos comparecerão às urnas neste domingo, 13, e segunda-feira, 14, para escolher entre a nova política representada pelo recém criado Partido Democrata (PD), do líder esquerdista Walter Veltroni e a volta ao já conhecido governo conservador do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi. As últimas pesquisas publicadas na Itália, com dados de duas semanas atrás, davam vantagem ao partido Povo da Liberdade (PDL), liderado por Berlusconi, entre cinco e oito pontos percentuais.   Aliança Berlusconi-Veltroni pode ser viável  Veltroni joga duro contra Berlusconi Colaborador de Berlusconi admite contatos na América do Sul Ouça análise sobre os candidatos da eleição italiana  Conheça o dois principais candidatos à premiê na Itália e entenda o processo eleitoral do país  Candidata à Prefeitura de Roma mostra traseiro em propaganda    No entanto, Veltroni assegurou em seus últimos comícios que essa distância desapareceu, e que seu partido está "a um passo de vencer as eleições". Os analistas estão céticos quanto a um espetacular avanço do PD, mas advertem que o particular sistema de eleições para o Senado, que concede prêmios de maioria segundo os resultados em nível regional, poderia gerar um empate ou levar a uma diferença mínima.   Por isso, os dois principais candidatos ao governo apostaram na sexta-feira suas cartas finais ao fazer na televisão suas últimas promessas eleitorais para tentar conseguir os votos dos indecisos, que chegariam a 30%, segundo as pesquisas de intenções de voto. Os rivais disseram que vão aliviar o bolso dos eleitores, e enquanto Veltroni prometeu fundos para aumentar pensões e salários, Berlusconi anunciou o progressivo desaparecimento do imposto de circulação.   Embora Veltroni tenha mais de 22 anos de vida pública, sete dos quais atuou como prefeito de Roma, pode ser considerado uma "cara nova" e "jovem" na política italiana, aos 52 anos de idade, frente aos 72 de Berlusconi e aos 68 do ex-primeiro-ministro Romano Prodi. Além disso, nesta campanha eleitoral Veltroni apostou em dar espaço aos jovens para renovar a classe política e, assim, cedeu o primeiro posto das listas na região do Lácio (centro) e da Lombardia (norte) a candidatos de aproximadamente 30 anos. Por sua parte, Berlusconi, com dois governos nas costas (um que terminou com dois anos e outro concluído em 2006 após cinco anos de legislatura), confia na recuperação do apoio da maioria dos eleitores, após o fracasso do último Executivo de centro-esquerda. Seu programa é praticamente idêntico ao apresentado em 2006, da mesma forma que seus aliados, a Liga Norte (LN) e a Aliança Nacional(AN), com a única diferença do rompimento da União de Democratas Cristãos e de Centro (UDC), de Pierferdinando Casini.   Os grandes perdedores do duelo entre Veltroni e Berlusconi serão os pequenos partidos, que, se com o antigo sistema de coalizões conseguiam eleger representantes para o Parlamento, agora correm o risco de ficar fora. É o caso da coalizão Esquerda-Arco-Íris (SA), que reúne o movimento Refundação Comunista, Os Verdes e o Partido Comunista Italiano (PCI), segundo as últimas pesquisas, pode conseguir cerca de 6% dos votos, contra 10,2% de 2006.   Alguns desses partidos pequenos não conseguirão superar a cláusula de barreira de 4% na Câmara dos Deputados, situação que se complica ainda mais no Senado, onde ela é de 8%. No entanto, alguns deles podem assumir papéis decisivos, caso haja acordos diante de um resultado apertado no Senado.

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