Vereador italiano defende política nazista contra imigração

Político ressalta medida de Hitler de matar dez imigrantes para cada cidadão italiano que sofrer violência

PHILI, REUTERS

05 de dezembro de 2007 | 12h08

Um político italiano chocou a população país, e os judeus em particular, ao defender que os imigrantes sejam tratados com o mesmo rigor que os nazistas usaram quando ocuparam a Itália. Giorgio Bettio, um vereador da cidade de Treviso, no norte do país, disse durante uma sessão da câmara dos vereadores realizada no começo desta semana: "Com os imigrantes, deveríamos usar o mesmo sistema da SS, punindo dez deles cada vez que algum de nossos cidadãos fosse atacado." Os comentários de Bettio reavivaram a lembrança do massacre das Fossas Ardeatinas, em 1944, quando Hitler mandou que dez italianos fossem executados para cada um dos 33 soldados alemães mortos em um ataque realizado em Roma por um grupo da resistência. A imigração tem sido uma questão conturbada na região rica do Vêneto, onde fica Treviso. Há frequentemente episódios de tensão entre os moradores e os imigrantes, alguns deles em busca de emprego nas fábricas e campos de colheita da área. Bettio, membro do partido anti-imigração Liga do Norte, viu-se condenado duramente por políticos e colunistas de jornal.  "Mesmo se ele estivesse bêbado ou se houvesse sofrido um curto-circuito cerebral, ele precisa ser condenado sem direito a uma apelação", afirmou em um editorial de primeira página, na quarta-feira, o Il Giornale, um jornal conservador que costuma dar apoio à Liga do Norte. Bettio disse à Reuters, por telefone, que estava "agitado e enfurecido" quando deu aquelas declarações porque um imigrante asiático havia ameaçado a mãe dele.  "Com certeza, eu cometi um erro ao citar a SS", afirmou Bettio, acrescentando "estar havendo exagero em relação ao caso" da parte dos políticos e meios de comunicação do país. Riccardo Pacifici, líder da comunidade judaica em Roma, que perdeu 75 membros no massacre de 1944, defendeu que Bettio renuncie. "Uma coisa é pedir por controles para a imigração. Mas isso é intolerável, algo realmente sujo." Enquanto parlamentares acusam Bettio de fomentar o racismo e pedem que o governo puna-o formalmente, o episódio chama a atenção, mais uma vez, para os problemas da Itália com a imigração. Muitos italianos, preocupados com o aumento das taxas de criminalidade e de desemprego, defendem que sejam realizadas operações de repressão contra os imigrantes. O ministro italiano da Solidariedade Social, Paolo Ferrero, disse que a Liga do Norte usava os imigrantes como bodes expiatórios para os problemas sociais "da mesma forma que os nazistas usaram os judeus como bodes expiatórios para os problemas sociais daquela época." O sentimento de repulsa aos imigrantes na região do Vêneto disseminou-se rapidamente em resposta à crescente imigração, vinda em especial do Leste Europeu. Cerca de 40 cidades adotaram recentemente leis de combate à "vagabundagem" a fim de manter afastados os pobres, os sem-teto e os desempregados.  Essas leis determinam que os estrangeiros só podem pedir para morar nas cidades se possuírem um emprego formal, ganharem um salário de ao menos 5 mil euros por ano por cada membro de sua família, viverem em uma casa "adequada" e não serem considerados "socialmente perigosos." No mês passado, o prefeito de uma outra pequena cidade da região mandou afixar cartazes provocativos aconselhando os cidadãos a emigrarem como forma de protestar contra o que considera ser um abrandamento da política oficial em relação aos imigrantes.

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