Vídeo de imigrantes sendo pulverizados contra sarna choca Itália

Um vídeo de imigrantes nus em pé no frio sendo pulverizados contra sarna provocou indignação na Itália nesta terça-feira e destacou o que muitos têm criticado como o fracasso da União Europeia em combater humanamente a crise da imigração.

STEVE SCHERER, Reuters

17 de dezembro de 2013 | 17h44

A emissora estatal de televisão RAI2 mostrou na noite de segunda-feira o vídeo que disse ter sido gravado por um imigrante com telefone celular. Ele mostra rapazes e homens mais velhos sendo avisados, com voz e gestos, para tirarem a roupa ao ar livre para que possam ser pulverizados contra ácaros.

A RAI2 entrevistou um dos imigrantes, identificado apenas como Khalid, que disse terem sido alinhados e tratados "como animais". Veja o vídeo em http://goo.gl/p0HK2O

A presidente da Câmara dos Deputados, Laura Boldrini, emitiu uma nota com elevado teor de raiva, dizendo que "homens e mulheres nus no lado de fora no meio do inverno" era "indigno de um país civilizado".

A prefeita de Lampedusa, Giusi Nicolini, disse que o vídeo fez o centro parecer um "campo de concentração" e que a Itália deve ter "vergonha" de seu tratamento aos imigrantes. O Ministério do Interior afirmou que estava investigando o assunto.

O vídeo foi filmado no centro de imigração na ilha de Lampedusa, disseram a emissora RAI2 e o imigrante Khalid. Em outubro, Lampedusa foi palco de um dos piores desastres em duas décadas de crise imigratória na UE, quando um barco afundou perto da costa, matando pelo menos 366 pessoas.

O presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso, foi vaiado quando visitou Lampedusa após o naufrágio, e a UE tem sido criticada sobre a sua gestão da crise, especialmente por fazer muito pouco pelos refugiados sírios.

Mais de 2 milhões fugiram da Síria desde que os combates começaram há mais de dois anos e meio. Cerca de 127.000 refugiados deixam a Síria por mês, afirmou a agência de refugiados da Organização das Nações Unidas (ONU) na segunda-feira.

Apenas 10 países da UE concordaram em recolher um máximo de 12.000 refugiados sírios neste ano, segundo a Anistia Internacional.

Houve um aumento acentuado nas travessias marítimas perigosas de sírios para a Itália neste ano, disse a organização Save the Children em um relatório nesta terça-feira.

Sírios representavam cerca de um quarto dos 40.244 imigrantes que chegaram à Itália por barco nos primeiros 11 meses, mais do que qualquer outra nacionalidade, segundo o relatório.

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