Violência marca enterro de jovem morto por policiais na Grécia

Policiais usaram gás lacrimogêneo para dispersar multidão; 6 mil acompanharam funeral de garoto de 15 anos

Agência Estado e Associated Press,

09 de dezembro de 2008 | 14h23

A polícia grega enfrentava nesta terça-feira, 9, várias pessoas após o funeral de um jovem morto por policiais no fim de semana. Os policiais usavam bastante gás lacrimogêneo para dispersar dezenas de jovens que lançavam pedras e queimavam latas de lixo. Não houve registro sobre feridos nos confrontos, que começaram nas proximidades do cemitério e se espalharam por um distrito próximo. Dezenas de moradores saíram às ruas, dizendo para a polícia parar de lançar gás lacrimogêneo na área residencial.  Veja também:Protestos ameaçam sobrevivência do governo Oposição pede queda de governo após protestos Galeria de fotos dos protestos  Havia aproximadamente 6 mil pessoas no funeral do adolescente Alexandros Grigoropoulos, de 15 anos, morto por policiais no sábado. Em Tessalônica, segunda maior cidade grega, a polícia confronta jovens de estilo anarquista, que fazem uma marcha de protesto. A morte do jovem, não totalmente esclarecida levou o país aos piores confrontos em suas ruas em décadas.  Três noites seguidas de incêndios e saques deixaram lojas e prédios depredados em Atenas e também grandes prejuízos em outras cidades do país. As cenas de confronto devem piorar mais a imagem do pouco popular governo conservador, abalado por escândalos financeiros e lutando para manter uma estreita maioria de apenas um legislador, no Parlamento de 300 cadeiras. Aumentam as críticas ao comportamento dos policiais para conter os distúrbios. Porém, o ministro do Interior, Prokopis Pavlopoulos, elogiou a atuação da força policial. O primeiro-ministro Costas Karamanlis afirmou que os autores da violência serão responsabilizados. "Ninguém tem o direito de usar esse trágico incidente como um álibi para ações de violência bruta, para ações contra pessoas inocentes, suas propriedades e a sociedade como um todo, e contra a democracia", disse Karamanlis, após uma reunião de emergência com o presidente Karolos Papoulias. Os distúrbios começaram na noite de sábado, após Grigoropoulos ser morto pela polícia de Atenas, no instável distrito de Exarchia. Dois policiais foram presos no caso, um acusado de homicídio e o outro, de ser cúmplice. Horas depois da morte, começaram distúrbios em várias cidades de todo o país.  A polícia anunciou na noite de segunda-feira que havia feito 89 prisões. Doze policiais foram feridos - não foi divulgado o número de civis feridos.  "Esse país não tem o governo", criticou o líder dos oposicionistas Socialistas, George Papandreou. "Esse caos é resultado das decisões e omissões de um governo que tornou-se um perigo para o povo grego."

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