Vítimas de abuso acham insuficientes propostas da Igreja belga

A Igreja Católica da Bélgica respondeu a um escândalo de abuso sexual com planos de criar um centro de reconciliação e de estabelecer novas regras para o clero, mas grupos ligados às vítimas disseram que as medidas são insuficientes.

PHILI, REUTERS

13 de setembro de 2010 | 19h26

"Os últimos meses foram muito difíceis para a Igreja e para nós. Estamos totalmente comprometidos com a resolução desse problema de uma forma nova", disse o arcebispo André-Joseph Leonard em entrevista à imprensa. "Causa-nos dor. Sair de uma crise dessas não é fácil."

O escândalo surgiu em abril, quando o bispo de Bruges renunciou depois de admitir que havia abusado sexualmente do seu sobrinho. Uma comissão que monitora os abusos divulgou na semana passada um relatório dizendo que os abusos clericais são disseminados na Bélgica.

Críticos acusam a Igreja de não agirem contra os padres malfeitores e de fazer vista grossa aos abusos. A comissão disse não ter encontrado evidências de que a Igreja tivesse acobertado sistematicamente os crimes, embora tenha visto casos em que nada foi feito.

O centro voltado para o reconhecimento, cura e reconciliação das vítimas será possivelmente montado até o final do ano.

Sam Deurinck, que disse ter sofrido abusos de padres aos 11 e 13 anos de idade, foi um dos vários manifestantes que, diante da entrevista coletiva do arcebispo, seguravam fotos de si mesmos quando crianças.

"Acho que será vinho velho em embornais novos. Os bispos já encontraram há muitíssimos anos várias técnicas para ganhar tempo e adiar seu julgamento final", declarou ele à Reuters.

Walter Van Steenbrugge, advogado que representa cerca de 30 vítimas, disse a uma TV belga que a Igreja deveria se preparar para pagar indenizações e deixar os casos com a Justiça.

Em junho, investigadores apreenderam documentos e computadores em casas paroquiais e na residência do ex-chefe da Igreja belga, mas a Justiça posteriormente considerou as ações policiais ilegais.

Sobre o futuro do bispo Roger Vangheluwe, de Bruges, Leonard teve pouco a dizer. Vangheluwe disse no fim de semana que deixaria a abadia que vinha lhe dando refúgio, mas cresceu a pressão para que ele deixe também o clero.

"Cabe a Roma decidir", disse Leonard. "Não cabe ao ex-bispo determinar sua própria punição."

(Reportagem adicional de Marine Hass)

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