Vítimas de ataques de Madri se revoltam com absolvições

Revoltados, sobreviventes e parentes dosmortos nos ataques a bomba contra os trens de Madri em março de2004 perguntavam por que ninguém foi condenado como mentorintelectual da ação, e consideraram as penas de leves demais. Isabel Presa, que perdeu o filho mais novo em uma dasexplosões de 11 de março de 2004, tremia enquanto falava com osjornalistas. "Não sou juíza nem advogada, mas isso é umavergonha", disse ela, em lágrimas. Os juízes consideraram 21 pessoas, a maioria marroquinos,mas também espanhóis, culpadas pelo envolvimento nos ataques,que mataram 191 pessoas. Três dos réus foram condenados a milhares de anos deprisão. Rabei Osman Sayed Ahmed, ou "Mohamed, o Egípcio",acusado de ser um dos mentores dos ataques, foi absolvido pelosjuízes, que também consideraram dois outros réus inocentes detramar a ação. As penas foram, na maioria dos casos, menores que aspedidas pela promotoria. "Aquilo destruiu minha vida, condenou a mim e a meu maridoa uma pena perpétua, e essas pessoas saem incólumes, algumas jánas ruas, e outras presas por 12 anos", disse Presa. "Espereitrês anos, e para quê?" Acredita-se que alguns dos mentores tenham fugido do país.Outros dois supostos líderes estavam entre os sete homens quese explodiram num apartamento de Madri três semanas após osataques, para não serem pegos pela polícia. Grupos de vítimasdisseram que vão recorrer. "Estamos muito surpresos com a absolvição. Se não forameles, temos que achar quem foi. Alguém deu a ordem", disse JoséMaría de Pablos, representante de uma associação das vítimas. O advogado de Ahmed disse que a justiça foi feita. "Ele foicondenado pela sociedade e pela mídia, mas um juiz decidiu queele é inocente --isso não é uma boa notícia só para mim comoadvogado dele, mas também é para a sociedade espanhola como umtodo", disse Endika Zulueta. O comboio com os réus deixou o complexo do tribunal sobgritos e vaias de observadores e famílias das vítimas. Clara Escribano estava indo para o trabalho, no Hospital 12de Outubro, quando uma bomba explodiu no trem em que estava.Ela sofreu três cirurgias em consequência da explosão, que adeixou surda de um ouvido. "Não estou feliz. Estou revoltada. Não posso trabalhar nomesmo lugar por causa do trauma emocional. Vamos recorrer",disse ela, que tem 49 anos. (Colaborou Anna Valderrama)

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