Mikhail Metzel/AP
Mikhail Metzel/AP

Vítimas de incêndio de casa noturna são enterradas na Rússia

Governo confirmou 113 mortos no incidente; outros 121 foram feridos e muitos respiram por aparelhos

Reuters,

07 de dezembro de 2009 | 11h16

Familiares e amigos das vítimas de um incêndio em uma casa noturna na Rússia começaram nesta segunda-feira, 7, a sepultar os 113 mortos no incidente ocorrido no fim da semana passada.

Todos os mortos e feridos já foram identificados, e os investigadores continuam analisando falhas na prevenção de incêndios.

O incêndio de sexta-feira à noite foi o mais letal das últimas décadas no país. Promotores afirmam que ele começou por causa de fagulhas de um show pirotécnico, que teriam colocado fogo em coberturas de vime nas paredes e teto da casa noturna Lame Horse, que estava lotada. Os mais de 200 presentes causaram tumulto ao tentar sair por uma única porta estreita.

O dono da casa, dois gerentes e o organizador do show pirotécnico foram detidos no domingo por ordens de um tribunal de Perm (1.150 quilômetros a leste de Moscou). Eles podem ser processados por homicídio e violação das regras contra incêndios.

Uma porta-voz oficial disse que a casa noturna não tinha extintores automáticos, e que os fogos de artifício não poderiam ser usados ali. Além disso, o dono do estabelecimento teria tentado fugir depois do incidente.

 

Funeral

Moradores de Perm depositam sobre a neve buquês de flores brancas e vermelhas em frente à entrada da casa noturna. São grupos de dois ou quatro buquês, já que os números pares de flores são vistos na Rússia como sinal de respeito aos mortos.

O memorial improvisado inclui também velas e retratos emoldurados de algumas jovens. A maioria das vítimas estava na faixa dos 20 a 30 anos de idade.

Algumas das pessoas que deixavam flores no local afirmavam que a corrupção permitira que durante anos a danceteria ignorasse as regras de segurança.

Mais de 1.500 pessoas morrem por ano por causa de incêndios na Rússia, e as autoridades admitem que fiscais muitas vezes extraem subornos dos estabelecimentos em vez de exigir que cumpram as regras de segurança.

Além dos 112 mortos, há também 121 feridos em estado grave. Muitos foram levados de avião para tratamento em Moscou, São Petersburgo e outras cidades. De acordo com os médicos, vários feridos têm mais de 50% do corpo queimado e respiram por aparelhos.

Esse foi o pior incêndio em uma discoteca no mundo desde que quase 200 pessoas morreram em Buenos Aires durante uma festa em 2004.

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