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Pier Paolo Cito/AP
Pier Paolo Cito/AP

Vítimas de padres pedófilos nos EUA protestam no Vaticano

Quatro abusados foram à Praça de são Pedro com cartazes de religiosos envolvidos nos escândalos

Efe

25 de março de 2010 | 11h44

CIDADE DO VATICANO - Vítimas de abusos sexuais cometidos por padres nos EUA foram à Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta quinta-feira, 25 para protestar e acusaram o papa Bento XVI de ocultar esses casos quando era cardeal, exigindo que se divulgue a verdade e que se acabe com os segredos.

 

Veja também:

linkPapa encobriu abusos quando era cardeal

 

Os quatro manifestantes eram Barbara Blaine, porta-voz e fundadora da SNAP (Rede de Sobreviventes de Vítimas de Abusos por Sacerdotes), Peter Isley, John Pilmaier e Barbara Dorris.

 

Além dos testemunhos, os quatro mostraram inúmeras fotos de crianças vítimas de abusos por parte de padres pedófilos, assim como cartazes nos quais denunciavam que Bento XVI, quando era prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, ocultou alguns desses casos.

 

Segundo as vítimas, entre esses casos está o do sacerdote já falecido Lawrence C. Murphy, da arquidiocese de Milwaukee, acusado de abusar sexualmente de aproximadamente 200 menores entre 1950 e 1970 em uma escola para crianças surdas do estado de Wisconsin.

 

As vítimas entregaram uma cronologia sobre o caso Murphy, na qual se constata que durante mais de 20 anos - de 1950 a 1974 - o sacerdote abusou de centenas de crianças surdas. A cronologia apresenta também as denúncias que foram feitas, as investigações do arcebispo de Milwaukee e as três cartas escritas pelo sacerdote ao Vaticano em 1996 e 1997.

 

A Polícia italiana interrompeu o protesto das quatro vítimas e as levou à delegacia para identificá-las, enquanto elas se perguntavam o que tinham feito para não poder falar com a imprensa.

 

A manifestação ocorreu no mesmo dia em que o jornal americano New York Times informou que as autoridades do Vaticano, inclusive o papa Bento XVI, encobriram o sacerdote americano Lawrence C. Murphy.

 

O porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, manifestou que esse sacerdote não foi castigado porque quando se soube do caso já tinham se passado 20 anos e ele estava muito doente. Lombardi acrescentou que a Congregação para a Doutrina da Fé pediu a Murphy que aceitasse a responsabilidade de seus graves atos. O padre morreu quatro meses mais tarde.

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