Vítimas morreram com canetas nas mãos, diz ministro alemão

Massacre em escola pegou 'todos de surpresa'; ao menos 15 pessoas foram mortas por atirador adolescente

Agências internacionais,

11 de março de 2009 | 16h53

Polícia retira o corpo de estudante morto em ataque. Foto: AP     BERLIM - O ataque realizado por um adolescente de 17 anos em cidade do sudoeste alemão "pegou todos de surpresa", disse o ministro do interior para a região de Baden Wuerttemberg, nesta quarta-feira, 11. "Algumas das vítimas estavam com suas canetas nas mãos", acrescentou. De acordo com a rede CNN, a maioria das 15 vítimas era mulheres - oito estudantes e três professoras foram mortas a tiros. Nesta manhã, Tim Kretschmer abriu fogo na escola de ensino médio Albertville-Realschule, onde já estudou, na cidade de Winnenden, e depois foi morto pela polícia.   Veja também:  Cronologia dos principais ataques contra escolas Após ataques, Europa apressa-se para restringir armas de fogo Atirador mata pelo menos dez e depois se suicida nos EUA   Segundo a CNN, ele invadiu as primeiras três salas do colégio. Logo em seguida, chegou a polícia. A matança durou menos de dois minutos. "Ouvimos que alguém estava atirando, e depois vimos um professor com sangue nas mãos, ajudando uma professora que havia se sacrificado por uma estudante. Ela se colocou à frente dela para protegê-la", contou uma estudante à emissora americana. De acordo com a polícia, ainda não foi descoberto nenhum motivo para o massacre.   "Ele entrou no colégio com um arma e deu início ao banho de sangue", disse o chefe da polícia regional, Erwin Hetger. "Nunca havia visto nada parecido em minha vida". Após o crime, o ex-estudante, formado no ano passado, fugiu de carro, levando um refém para a cidade próxima de Wendlingen, liberado pouco tempo depois. Quando chegou ao local, o adolescente foi cercado no estacionamento de um supermercado. Outras duas pessoas teriam sido mortas durante a troca de tiros entre policiais e o adolescente. Ao final do tiroteio, o jovem atirador acabou morto pela polícia.   Segundo porta-vozes da polícia alemã, o ex-aluno vestia uma roupa de combate preta durante os disparos na escola. Testemunhas disseram que os estudantes que se encontravam no colégio começaram a pular as janelas do prédio, enquanto pais se aproximavam para ver o que estava ocorrendo. A escola, que recebe cerca de 1 mil estudantes diariamente, foi esvaziada.   Antes de alcançar o jovem, a polícia, que mobilizou helicópteros e centenas de agentes para detê-lo, invadiu sua casa, na qual o pai aparentemente mantinha uma grande coleção de armas. Para fugir, ele sequestrou um motorista e obrigou-o a levá-lo de carro até parte do caminho, liberando-o em seguida e continuando sozinho sua fuga.   Repercussão   A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, disse que foi um "crime horrível e incompreensível. É difícil colocar em palavras o que aconteceu nesta quarta, mas nossa tristeza e simpatia estão com as famílias das vítimas", ela disse em coletiva de imprensa. O Parlamento Europeu, em sessão em Estrasburgo, França, fez um minuto de silêncio em memória às vítimas.   Esta foi a pior tragédia do tipo na Alemanha desde 2002, quando um jovem de 19 anos, Robert Steinhaeuser, atirou e matou 12 professores, uma secretária e dois estudantes e um policial antes de suicidar-se, no colégio Gutenberng, em Erfurt.   Winnenden, uma histórica cidade mercantil cujas origens remontam ao século 12, é a sede da firma alemã Kaercher, uma renomada fabricante de aspiradores de pó e lavadoras de alta pressão. Diversos tiroteios em escolas têm chocado a Alemanha nos últimos anos.   (Matéria atualizada às 21h05)

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