Vítimas pedem indenização a suspeitos de ataque do IRA

Processo exige pagamento de RS 34 mi de líderes de facção responsável por pior ataque na Irlanda do Norte

Agência Estado e Associated Press,

07 de abril de 2008 | 11h49

Parentes das vítimas do pior ataque extremista da história da Irlanda do Norte finalmente abriram, nesta segunda-feira, 7, um processo civil contra cinco supostos líderes de um grupo paramilitar dissidente do Exército Republicano Irlandês (IRA, na sigla em inglês). Esta é a primeira vez que vítimas de terrorismo no país entram no Judiciário com uma ação civil. O atentado ocorreu em 15 de agosto de 1998, em Omagh. Um carro-bomba explodiu na principal rua de comércio da cidade. O número de vítimas foi alto porque a polícia, apesar de ter recebido avisos vagos por telefone, fez a retirada das pessoas do local de forma pouco planejada. Ninguém foi condenado por ligação com o atentado. A ação da dissidência do IRA conhecida como IRA Autêntico tinha como objetivo minar o apoio popular ao Acordo da Sexta-feira Santa, firmado no início daquele ano e que acaba de completar uma década em vigor. A Suprema Corte de Belfast, que cuida há sete anos do caso, trata da ação que envolve pelo menos 10 milhões de libras (US$ 20 milhões, ou R$ 34 milhões) em indenizações. "É como uma vitória moral chegar a esse estágio", afirmou um comunicado divulgado por parentes dos 29 mortos. "Pela primeira vez, cidadãos estão confrontando terroristas nos tribunais", disse o principal advogado do caso, Lord Daniel Brennen. Os cinco homens acusados de ter papéis de liderança no IRA Autêntico - Michael McKevitt, Liam Campbell, Colm Murphy, Seamus Daly e Seamus McKenna - negam responsabilidade pelo ataque. Eles não compareceram à sessão nesta segunda-feira. Todos ficaram presos na República da Irlanda por outras acusações envolvendo o grupo paramilitar. McKevitt atualmente apela da condenação de "dirigir ato de terrorismo" - uma acusação criada pelo governo irlandês especificamente para responder ao atentado de Omagh. Se bem sucedida, a ação poderia abrir caminho para processos similares contra os protagonistas do conflito na Irlanda do Norte, que já causou 3.700 mortes nas quatro últimas décadas. Mais da metade das mortes foi causada pelo IRA e por dissidências do grupo, um terço por organizações anticatólicas e o restante pelas forças de segurança britânicas ou por atos violentos cometidos enquanto se reuniam multidões. As famílias das vítimas do atentado de Omagh têm sido bastante críticas aos esforços policiais para apurar e punir os responsáveis pelo atentado. Os dissidentes se localizam sobretudo na República da Irlanda. A população também raramente testemunha contra membros do IRA, por causa do alto risco de represálias. Milhares de pessoas doaram mais de 1 milhão de libras (R$ 3,4 milhões) aos familiares do atentado de Omagh. Porém, se as famílias perderem essa ação, terão de arcar com uma dívida astronômica em custas do processo.

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