Vitória em plebiscito sobre tratado da UE traz alívio à Irlanda

O governo irlandês declarou-se vitorioso nesta sexta-feira em um plebiscito sobre o novo tratado fiscal da União Europeia, mas tem poucos motivos para comemorar, já que os problemas disseminados pela zona do euro continuam afetando os progressos internos.

CONOR HUM, REUTERS

01 de junho de 2012 | 09h20

O governo fez forte campanha pelo tratado, alegando que sua rejeição afastaria investimentos estrangeiros. Com a apuração ainda em andamento, ministros disseram que houve uma clara vitória do "sim", e seus oponentes admitiram a derrota.

"É um suspiro de alívio por parte do governo, em vez de uma comemoração", disse a jornalistas o ministro dos Transportes, Leo Varadkar, antes da conclusão da apuração em Dublin.

A ministra de Assuntos Europeus, Lucinda Creighton, havia dito à Reuters no início da apuração que o governo estava "muito, muito confiante" na vitória. Sean Crowe, dirigente partidário ligado à coalizão de governo, previu um placar de 57 x 43 por cento em favor do "sim".

A Irlanda é apontada por seus parceiros europeus como modelo de austeridade, implementando ao pé da letra as exigências da UE e do FMI em troca de um resgate financeiro de 85 bilhões de euros (106 bilhões de dólares), ao passo que outros, especialmente a Grécia, continuam no centro da crise da dívida na zona do euro.

Mas, para pagar suas dívidas e reduzir o desemprego, o país depende de exportações, e elas não irão decolar enquanto a crise na Europa perdurar.

O novo tratado fiscal é um plano concebido para a Alemanha para impor responsabilidade fiscal aos países do bloco. Só a Irlanda o levará a referendo, e uma derrota não seria fatal para o tratado, que precisa da aprovação de apenas 12 dos 17 países.

Mas analistas dizem que a vitória do "sim" melhora as perspectivas irlandesas para a volta ao mercado de títulos, prevista para o ano que vem, e representa uma rara boa notícia para a Europa.

"É uma mensagem de apoio da Irlanda para a Europa, acho que simplesmente é isso", disse Dermot O'Leary, economista chefe de Goodbody Stockbrokers. "Os gestores políticos não terão muito tempo para celebrar, porque há questões mais amplas na zona do euro para a qual eles agora precisam desviar sua atenção."

Os títulos irlandeses com vencimento em dois anos mantêm juros de 7,53, próximo do seu maior valor no ano, num sinal de que os investidores ainda cogitam a possibilidade de Dublin precisar de um novo pacote.

(Reportagem adicional de Lorraine Turner)

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