Viúva de Litvinenko pede que Grã-Bretanha leve Rússia à Justiça

A Grã-Bretanha deveria denunciar aRússia à Corte Internacional de Justiça caso possua provas doenvolvimento do governo russo na morte por envenenamento doemigrante Alexander Litvinenko, afirmou na terça-feira umaadvogada da viúva dele. "Eu acho que o governo britânico possui com a senhoraLitvinenko (Marina Litvinenko) e com o falecido marido dela, naqualidade de cidadãos, a obrigação de ingressar com um processona Corte Internacional de Justiça", afirmou a advogada LouiseChristian, em um comunicado. Christian respondia a uma reportagem da BBC divulgada nasegunda-feira e segundo a qual o serviço de inteligênciabritânico MI5 acreditava que o assassinato de Litvinenko em2006, em Londres, havia contado com o apoio do Estado russo. Litvinenko teve uma morte dolorosa e lenta depois de tersido envenenado com o elemento radiativo polônio 210,adicionado a uma xícara de chá que ele ingeriu. Um membro dos serviços de segurança britânicos confirmou naterça-feira o conteúdo da reportagem, afirmando à Reuters: "Háfortes indícios de que o Estado russo participou disso." Até agora, a Grã-Bretanha não culpou a Rússia diretamentepela morte de Litvinenko, um ex-integrante dos serviços desegurança russos que, desde Londres, transformou-se em umveemente crítico do governo de seu país. O episódio, no entanto, prejudicou seriamente as relaçõesdiplomáticas entre os dois países. A Rússia recusou-se aentregar aos britânicos o principal suspeito do crime, AndreiLugovoy, argumentando que sua Constituição proíbe que cidadãosrussos sejam extraditados. O governo russo negou enfaticamente ter participado doassassinato. Em uma manobra que aponta para as suspeitas em relação aoenvolvimento dos serviços russos de inteligência no caso, aGrã-Bretanha, em 2007, expulsou quatro diplomatas russos. ARússia respondeu na mesma moeda. Promotores russos também investigam a morte de Litvinenko,mas rechaçam a tese de participação de agentes do governo nocrime. Na cúpula do Grupo dos Oito (G8) realizada atualmente noJapão, e da qual participam o primeiro-ministro britânico,Gordon Brown, e o presidente russo, Dmitry Medvedev, umaautoridade russa negou-se a fazer comentários sobre o caso. No ano passado, Marina Litvinenko deu início a um processojunto à Corte Européia dos Direitos Humanos tentando obter umasentença afirmando que o Estado russo está por trás doassassinato do marido dela. A advogada dela não especificou que tipo de ação aGrã-Bretanha deveria impetrar junto à Corte Internacional deJustiça, com sede em Haia. (Com reportagem de Ekaterina Sukhareva em Moscou e OlegShchedrov em Tóquio)

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