Vivemos um constante pesadelo, diz pai de Madeleine

Tentando provar inocência, casal McCann é considerado principal suspeito pelo sumiço da filha, em maio

Efe e Associated Press,

11 de setembro de 2007 | 07h46

Gerry McCann, o pai da menina britânica Madeleine McCann, desaparecida desde 3 de maio, afirmou nesta terça-feira, 11, que ele e sua mulher têm vivido um constante pesadelo. Os últimos dias foram "incrivelmente estressantes" e "emocionalmente esgotantes", disse o pai da menina em um site dedicado à busca da filha.  "A dor e o transtorno que experimentamos na última semana é totalmente impossível de qualificar", desabafou o pai de Madeleine. Nesta terça ele voltou a afirmar que ele e Kate McCann são totalmente inocentes e que contam com o apoio total dos seus parentes e amigos. Na última sexta ambos foram declarados suspeitos do desaparecimento da menina. A decisão marcou uma reviravolta no caso, que atraiu atenção internacional desde o início. Até então, o principal suspeito era o britânico Robert Murat, um britânico que vivia próximo do hotel onde a garota sumiu. "Sempre tivemos esperanças de não ter que voltar para o Reino Unido sem Madeleine e nunca imaginamos a possibilidade de sermos suspeitos do desaparecimento de nossa filha", acrescentou. Madeleine McCann desapareceu quando dormia junto a seus dois irmãos num apartamento do Algarve, enquanto seus pais jantavam num restaurante a cerca de 50 metros do quarto. Em seu texto, Gerry McCann explicou que não pode fazer comentários sobre a investigação policial devido à sua condição de suspeito. Mas insistiu que ele e sua mulher confiam absolutamente que, uma vez apresentadas todas as provas, será demonstrado que eles não tomaram parte alguma no desaparecimento de Madeleine. "Nossa principal preocupação sempre foi a busca de Madeleine. O fato de que a nossa filha ainda está desaparecida deveria ser a prioridade da investigação", ressaltou Gerry McCann. Custódia Sobre seus dois outros filhos, os gêmeos Sean e Amélie, Gerry McCann disse que eles se adaptaram rapidamente à vida no Reino Unido. Também informou que está sendo assessorado por advogados. A imprensa britânica informa nesta terça-feira que os serviços sociais do condado de Leicestershire, no centro da Inglaterra, onde vivem os McCann, se reuniram na última segunda com a Polícia para analisar a situação dos gêmeos Sean e Amélie, de 2 anos. O jornal The Sun diz que os serviços sociais poderiam retirar dos McCann a custódia dos filhos, agora que eles são suspeitos do desaparecimento da filha mais nova. A imprensa britânica repercute os testes feitos por um laboratório de Birmingham, mostrando que o suposto rastro de sangue achado no automóvel alugado pelo casal em Portugal coincide com o DNA de Madeleine. Dúvidas Na última segunda-feira, o jornal britânico The Times elencou as questões mais importantes e que ainda não foram esclarecidas sobre o desaparecimento de Madeleine, revelando que ainda restam lacunas na investigação e questões óbvias sobre o caso que ainda permanecem sem resposta. O Times questiona, por exemplo, o que os pais da menina estariam fazendo quatro horas antes de reportar o suposto seqüestro da filha de 4 anos. Ainda não está claro se mais alguém além dos pais chegou a ver a menina viva entre 18 e 22 horas, quando foi denunciado o desaparecimento. Embora uma criança possa ser morta facilmente, levaria tempo para ocultar o cadáver e as principais evidências.  Os passos dos amigos do casal McCann também são dúvida na investigação do caso. O médico Russell O’Brien teria deixado o restaurante por 30 minutos para verificar se a filha estava dormindo e retornou minutos antes do desaparecimento de Madeleine ser denunciado. Sua mulher, Jane Tanner, foi a única testemunha que teria visto um homem carregando uma criança do quarto dos McCann. Existe ainda uma confusão sobre os horários de chegadas e saídas dos outros casais que jantaram com os pais de Madeleine naquela noite. Autoridades tentam ainda descobrir como os irmãos que dormiam com a menina não acordaram enquanto Madeleine foi levada. Sean e Amélie permaneceram dormindo durante o ataque histérico da mãe ao notar o desaparecimento da filha mais velha e ao mesmo tempo em que as buscas eram realizadas por dezenas de pessoas no hotel. O casal nega que os filhos tenham sido sedados naquela noite. Embora não tenha sido feita uma declaração oficial, a Polícia portuguesa deixou vazar à imprensa que os indícios contra o casal eram manchas de sangue e outras amostras biológicas encontradas no automóvel, nas roupas e em objetos ligados ao casal, além de sinais da presença de um cadáver detectados no apartamento. O procurador português destinado ao caso Madeleine deverá decidir nos próximos dias se é necessário interrogar novamente os pais de Madeleine ou apresentá-los ao juiz, informaram fontes judiciais. João Cunha de Magalhães, que a partir desta segunda-feira assume a responsabilidade de avaliar as investigações e os interrogatórios feitos pela Polícia Judiciária, decidirá a solidez das suspeitas contra os McCann e os indícios encontrados pelos investigadores sobre a hipotética morte da menina.

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