Vizinhos de austríaco que prendeu filha deverão depor

Polícia convoca pessoas que podem dar detalhes do cativeiro de Elizabeth Fritz, presa pelo pai por 24 anos

Reuters,

30 de abril de 2008 | 20h39

A polícia austríaca convocou nesta quarta-feira, 30, uma centena de pessoas que podem esclarecer detalhes do cativeiro de Elizabeth Fritzl, presa pelo pai Josef em um porão por 24 anos. Na segunda-feira, o austríaco confessou ter mantido relações incestuosas com a filha, mas nesta quarta se negou a dar mais explicações sobre o caso.   Veja também: Austríaco se nega a dar mais respostas sobre filha Após incesto, Áustria fará campanha para melhorar imagem Natascha Kampusch doa 25 mil euros para vítimas de Fritzl Polícia afirma que austríaco pode ter cúmplice na família Austríacos fazem vigília por mulher que ficou presa em porão   O detetive Franz Polzer pediu a ajuda de todos na pequena cidade de Amstetten, onde Josef prendia no porão Elizabeth e três dos sete filhos que teve com ela. "Pergunto se algum deles pode ter visto algo que valha a pena ser destacado, mas que no momento parecia insignificante", disse o detetive à imprensa local.   A perplexidade da população está levando a um esforço público e judicial para tentar entender como um homem pode ter prendido sua filha e os três filhos debaixo do nariz dos vizinhos e das autoridades.   Polzer disse que no porão, que estava escondido atrás de uma porta de cimento, havia dependências separadas para dormir, lavar e cozinhar, além de contar com uma geladeira e lavadora. "Estes equipamentos garantiam a sobrevivência", acrescentou.   Dois dos três filhos que viveram na cela se reuniram nesta semana com os outros três irmãos, que foram adotados e criados por Josef e sua esposa Rosemarie. "Ontem tivemos uma pequena comemoração improvisada do aniversário de um dos garotos, de 12 anos", disse Berthold Kepplinger, diretor médico do hospital austríaco onde se encontram as vítimas.   A filha maior, de 19 anos, permanece internada em estado grave desde a semana passada, quando saiu pela primeira vez da cela. Josef Fritzl está preso e enfrenta investigações por violação e incesto. Também se investiga se o austríaco cometeu homicídio com um dos filhos que teve com Elizabeth, que morreu pouco antes de nascer e teve seus restos mortais incinerados por Josef.   Defesa   O advogado de Fritzl, o renomado Rudolf Mayer, disse que seu cliente se nega a responder mais perguntas. "Ele já deu à polícia uma declaração de grande amplitude", afirmou. "Não há necessidade de mais perguntas", completou o advogado.   "As provas são claras e provam o incesto. A violação, porém, não foi provada. É preciso deixar de lado o encarceramento e o homicídio. Não foi comprovado nada nesse sentido", destaca Mayer.  

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