WikiLeaks: Reino Unido se tornou 'paranoico' sobre relação com EUA

Diplomatas britânticos se perguntavam se "relação especial" entre países contiuaria especial com governo Obama

Efe

04 Dezembro 2010 | 09h06

LONDRES - Um diplomata dos EUA considerou que o Reino Unido tornou-se "paranoico" sobre a chamada "relação especial" com os EUA depois de Barack Obama ser eleito presidente, de acordo com novos documentos que revelados pelo site WikiLeaks e que o jornal The Guardian teve acesso.

 

Em um documentos diplomáticos publicado neste sábado, 4, pelo jornal, um diplomata dos EUA destacou o que ele descreve como "paranoia" britânica sobre as relações com o seu país.

 

Em 2008, em uma carta da embaixada dos EUA em Londres, o diplomata Richard LeBaron descreveu um encontro com o atual Ministro dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, William Hague, antes de os conservadores britânicos chegarem ao poder.

 

LeBaron disse que quando perguntou a Haia se a relação entre os EUA e o Reino Unido continuou a ser "especial", o titular de Exteriores respondeu, de acordo com a carta: "... Nós queremos um regime pró-americano. Precisamos dele. O mundo precisa"

 

As mensagens estão entre os mais de 250 mil documentos obtidos pelo WikiLeaks, cujo fundador, Julian Assange, é procurado pela Suécia por abuso sexual, e que, aparentemente, está morando com amigos no sudeste da Inglaterra.

 

"Os britânicos perguntam se nossa relação especial continua a ser especial em Washington" é o título de uma das mensagens enviadas por LeBaron em fevereiro de 2009.

 

LeBaron disse que "mais de um oficial britânico perguntou a diplomatas da embaixada se o presidente Obama pretende enviar algum sinal em seu discurso de abertura sobre as relações entre os EUA e o Reino Unido."

 

O fato de que a imprensa britânica estava dedicando muito espaço para mencionar que a Casa Branca havia devolvido ao governo britânico o busto de Churchill que adornava o Salão Oval durante o mandato de Bush foi um dos destaques de um dos telegramas enviados pelo diplomata.

 

"Este período de especulação excessiva no Reino Unido sobre a relação (entre os dois países) é mais paranoico do que o habitual", disse LeBaron, que considerou a leitura britânica sobre o assunto "muitas vezes cômico, se não corrosiva".

 

Ele também salienta que "o compromisso britânico de recursos - financeiros, militares, diplomáticas - , em consonância com as prioridades globais dos EUA ainda não tem comparação."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.